São Camilo no Projeto Rondon

As ações sociais fazem parte da filosofia camiliana que alia a competência tecno-científica e humana

“Estou neste mundo para ajudar ao próximo e não apenas para estudar, ser uma profissional e, sim, atuar de forma que possa fazer a diferença na vida de uma pessoa ou de uma comunidade”, declarou a estudante do 8º semestre de Nutrição, Rebeka de Abreu Anbinder, 21 anos, que participou da Operação Zabelê do Projeto Rondon em janeiro de 2011. Foi a primeira vez que o Centro Universitário São Camilo – SP atuou nesta ação.

A declaração de Rebeka resume o objetivo do Projeto Rondon, que é coordenado pelo Ministério da Defesa e tem o intuito de promover a participação voluntária de estudantes universitários em iniciativas que contribuam para o desenvolvimento sustentável das comunidades assistidas.

Para a estudante do Curso de Nutrição, o Rondon foi uma ótima oportunidade de unir a parte acadêmica com um dos seus princípios de vida: ajudar ao próximo a partir da educação e do conhecimento. “Vi no Rondon a oportunidade de juntar coisas que eu conheço e poder ser uma multiplicadora, contribuindo com o mundo”, disse Rebeka, que realiza trabalhos voluntários há 15 anos como líder de um movimento jovem de educação informal.

Para o estudante do 6º semestre de Fisioterapia, Marcelo Messias Pierrotti, 37 anos, ‘Desafio’ é a palavra que mais caracteriza o Projeto Rondon. “Foi um desafio conviver com pessoas, opiniões e atitudes diferentes. É um aprendizado superar esses desafios e absorver conhecimentos dessas situações e aplicar esses aprendizados na minha vida profissional e pessoal. Como valores, levo a capacidade de ensinar e aprender”, declara Marcelo.

Por que o nome Rondon?

O Projeto Rondon foi criado em 1967 e chegou a ser extinto em 1989. Mas, em 2005, o projeto foi retomado e até o momento levou mais de 12 mil rondonistas – é assim que os estudantes são chamados – a cerca de 800 municípios.

O projeto foi inspirado na vida de Cândido Mariano da Silva Rondon, o Marechal Rondon, que durante sua vida buscou conhecer as áreas mais distantes do país, desbravando terras, lançando linhas telegráficas, fazendo mapeamentos e sendo defensor dos povos indígenas. A comissão do Marechal foi a primeira a alcançar a região amazônica.

O Vice-Almirante Edlander Santos, Coordenador-geral do Projeto Rondon e Diretor do Departamento de Pessoal, Ensino e Cooperação do Ministério da Defesa, explica que o projeto permite que estudantes universitários conheçam diferentes regiões do Brasil, principalmente áreas diferentes daquelas situadas nos arredores da universidade.

“Esta ação possibilita a convivência das diferentes culturas do país e permite a aplicação do conhecimento acadêmico em benefício de populações necessitadas, além da ampliação dos horizontes enquanto desenvolvem um trabalho social e aprendem com a sabedoria popular”, declara Edlander.

O coordenador do Rondon ainda explica que para o município que recebe o projeto é uma grande oportunidade de troca de conhecimento e aprimoramento das capacidades dos agentes multiplicadores lá existentes. “É possível capacitar os profissionais do município, em especial os servidores da prefeitura, agentes de saúde, professores, líderes comunitários, merendeiras, produtores rurais entre outros. As ações realizadas pelos rondonistas contribuem, também, para o desenvolvimento sustentável e o bem-estar da população”, aponta o Vice-Almirante.

A operação do Projeto Rondon é coordenada pelo Ministério da Defesa e conta com as Forças Armadas (Marinha, Exército e Aeronáutica), responsáveis pela logística da operação. O Vice-Almirante afirma que a coordenação-geral do projeto tem 8 profissionais responsáveis pelo planejamento, coordenação e comunicação social. Além dessa equipe, o Projeto tem o apoio das unidades militares que recebem os rondonistas e ajudam na coordenação das operações.

A participação da São Camilo

As ações sociais fazem parte da filosofia camiliana que alia a competência tecno-científica e humana, fortalecendo o exercício da cidadania. O Reitor do Centro Universitário São Camilo-SP e Superintendente da União Social Camiliana, Prof. Dr. Pe. Christian de Paul de Barchifontaine, afirma que a participação da Instituição no projeto significa um entrosamento junto às organizações governamentais (Governo Federal, Ministério da Defesa e a organização dos municípios escolhidos), bem como um reconhecimento do trabalho social desenvolvido pela São Camilo, já que há uma seleção acirrada para a escolha dos projetos apresentados.

“Essa atividade deixa marcas de solidariedade, de descoberta de ‘outro mundo’ para quem já participou e com certeza marcará quem for. Esse exercício da solidariedade, infelizmente, falta na nossa sociedade, portanto a participação dos nossos alunos é um testemunho de entre-ajuda para o desenvolvimento das comunidades visitadas e também para todos os alunos camilianos”, relata o Reitor.

No Rondon, cada Instituição de Ensino seleciona oito alunos e dois docentes. A operação tem duração de 15 dias e, por município, são selecionadas duas IES que atuam juntas nos trabalhos. A São Camilo faz parte do Conjunto A, que consiste nas atividades de Cultura, Direitos Humanos e Justiça, Educação e Saúde. A outra IES faz parte do Conjunto B, que desenvolve trabalhos de Comunicação, Meio Ambiente, Trabalho, Tecnologia e Produção. A última Operação Açaí (realizada em julho deste ano, na cidade de Bonito, no Pará) atendeu 19 municípios, e dela participaram 38 IES, contando com cerca de 376 rondonistas voluntários.

Desde a primeira participação da São Camilo na Operação Zabelê, que atuou no município de Mathias Olímpio, no Piauí, realizada em janeiro de 2011, o Prof. Válter Luiz da Costa Junior, docente dos Cursos de Farmácia e Enfermagem, está como coordenador do projeto. Em todas as operações, Válter conta com a colaboração de uma professora.

Da primeira operação, participou a Profa. Aline Rodrigues Sorcinelli, docente do Curso de Terapia Ocupacional; da segunda, a Operação Pai Francisco (realizada em janeiro de 2012 em Cajapió, no Maranhão), participou a Profa. Luciana Pinto Sartori, do Curso de Ciências Biológicas, e da Operação Açaí, a Profa. Andrea Lorenzi Berni, do Curso de Nutrição.

Prof. Valter explica que a São Camilo elabora cerca de 19 atividades que contemplam o Conjunto A no projeto inicial. Quando ele realiza a viagem precursora, para conhecer o local, as lideranças municipais e as prefeituras, geralmente surgem de 7 a 8 atividades, justamente para atender as reais necessidades de cada cidade. “Como são muitas oficinas, precisamos refazer o projeto de modo que possamos unir as oficinas para poder atender de forma adequada e com muita dedicação cada uma delas”, conta o coordenador do projeto na São Camilo.

Válter explica que as cidades têm características muito peculiares e que geralmente as oficinas se repetem de uma operação para outra. Falta de saneamento básico é um problema comum, então, São Camilo promove ações de prevenção de doenças infecto-contagiosas por água; estímulo ao aleitamento materno porque a mãe deixa de dar leite materno ao filho e oferece suco ou outro alimento com a água contaminada; drogas; doenças sexualmente transmissíveis e gravidez indesejável; hipertensão e diabetes; atividades de cidadania, justiça e cultura; aproveitamento de alimentos; oficinas de práticas alternativas pedagógicas, entre outras.

“Ações que possam prevenir são de extrema importância. A população não tem acesso a tratamentos médicos, porque às vezes tem apenas uma Unidade Básica de Saúde e não tem Hospital. Se alguma pessoa tiver um acidente vascular encefálico como faz para rever e tratar? Portanto prevenir as doenças nesses lugares é muito importante”, afirma Prof. Válter.

Antes da viagem, todos os alunos e docentes camilianos passam por reuniões e treinamentos que ajudam a elaborar as oficinas e a confeccionar os materiais que serão utilizados. “Esse treinamento deixa os alunos preparados e já começa a integração, o trabalho em equipe”, explica a Profa. Andrea.

Os estudantes selecionados para a última operação, Sarah Francine Teixeira, 23 anos, do 7º semestre do Curso de Terapia Ocupacional, e Bruno dos Santos Machado, 22 anos, do 7º semestre do Curso de Fisioterapia, junto com outros rondonistas relatam que a experiência em um projeto social agrega não só para vivência acadêmica, mas ressalta os valores de vida e de cidadania. “Na Terapia Ocupacional, estudamos também a cultura de outras regiões e lá pude ver de perto o artesanato local e outras manifestações culturais. Tudo que foi falado em sala de aula foi possível trabalhar na prática, com foco na humanização”, conta a aluna Sarah.

O Pró-Reitor Acadêmico, Prof. Marcos Frizzarini, conta que as ações sociais dessa natureza possuem um significado de grande magnitude para a formação holística dos acadêmicos. “É uma oportunidade ímpar para a percepção e sensibilidade à realidade social em todas as suas dimensões, dificuldades, valores e diversidade. Esse projeto coaduna com o principal objetivo na formação de nossos alunos, na preocupação com a cidadania e humanização”, afirma o dirigente camiliano.

A Profa. Luciana Pinto Sartori também ressalta a importância de os alunos participarem de ações sociais para que aprendam a ter um olhar diferenciado para as comunidades mais distantes. “Os alunos voltam comovidos por deixarem aquela população que é tão carinhosa, afetiva e que nos recebeu tão bem. Quando os rondonistas voltam a São Paulo, têm o desejo de continuar a atuar em projetos sociais, levar adiante essa ação de cidadania”, explica Luciana.

Mônica Dias de Paula, 26 anos, do 7º semestre do Curso de Ciências Biológicas, foi uma das alunas que voltou com vontade de vivenciar experiências semelhantes ao Rondon. “Com esse projeto pude colocar em prática o conhecimento adquirido durante a minha vivência como universitária, levei conhecimento para pessoas que de certa forma não esperavam o que nós levamos para lá. Troquei experiência com pessoas de cursos diferentes, pude viver as dificuldades em se aplicar conceitos simples e o quanto é diferente a vivência acadêmica e a vivência com pessoas que vivem fora do mundo acadêmico e o quanto eles têm a nos ensinar”, afirmou Mônica.

Além de conscientizar para práticas de ações sociais, a estudante do 7º semestre do Curso de Enfermagem, Cristiane Silva Marcantonio, 24 anos, afirma que a experiência do Rondon reforça a prática assistencial, pois como profissional irá se deparar com situações muito semelhantes às do Rondon, de uma população carente, pobre e desinformada, seja na periferia, em hospitais públicos, Unidades Básicas de Saúde e até mesmo no setor privado.

Segundo a avaliação do Coordenador da Operação Pai Francisco, Coronel Brito Neto, a equipe do Centro Universitário São Camilo-SP mostrou-se bastante harmônica e focada no trabalho. As oficinas e palestras realizadas no município de Cajapió foram muito concorridas. Ele ressaltou a forte liderança do professor-coordenador da operação.

Durante a última operação do Projeto Rondon, também foi promovida a Ação Cívico Social (ACISO), que é uma atividade realizada pelo 4º Distrito Naval da Marinha do Brasil. Segundo o Vice-Almirante Edlander Santos, Coordenador-geral do Projeto Rondon, neste ano essa ação contará com a participação de 19 estudantes voluntários, que realizarão atividades na área de saúde junto às comunidades ribeirinhas localizadas na calha/foz do Rio Tocantins. Os voluntários foram selecionados pelas IES que participarão da Operação Açaí do Projeto Rondon.

A aluna Natália Yasuko Sairo, 23 anos, do 5º semestre do Curso de Farmácia, foi uma das selecionadas para participar do ACISO. “Foi uma experiência ótima trabalhar com um grupo multidisciplinar, aprendi muito. Temos que aproveitar essas oportunidades que a Instituição oferece enquanto somos estudantes”, declara Natália.