Curso de medicina: Instituição e alunos face aos desafios da carreira médica

Em tempos de crise econômica e diante de um mercado que exige atualização e formação rápida dos profissionais, o curso de medicina, que em média contempla 12 semestres em seu projeto pedagógico, torna-se alvo de estudantes capazes de aguardar uma formação aprofundada e específica antes de entrar no mercado de trabalho. Para tanto, condições financeiras adequadas são necessárias para que o jovem estudante da ciência médica tenha plena condições de concluir o curso sem que uma crise econômica possa prejudicar sua formação acadêmica.

É nesse contexto e pela seleção e organização dos conteúdos curriculares de forma ética que a escola médica atual deve transmitir o conhecimento trabalhando, na prática cotidiana de sala de aula, os valores pensados como desejáveis na formação dessa nova geração de profissionais médicos, buscando sempre o resgate da dignidade da pessoa humana dentro de uma sociedade que deveria intermediar o conhecimento focado na transformação de vidas.

Diante dessa realidade desafiadora amplia-se o significado de um adequado e coerente Projeto Pedagógico, documento norteador das práticas e da visão de futuro dos cursos superiores atrelado a realidade da inserção do curso de medicina.

Desse modo, cumpre atrair o debate para uma discussão acerca do lugar ocupado pelas escolas médicas contemporâneas, em particular suas especificidades, em contextos de modernização. Recolocam-se, desse modo, questões fundamentais acerca da formação acadêmica do estudante de medicina ante a exigência de produção do conhecimento científico. Contudo, para vencer o desafio de uma realidade tão complexa, é necessário construir um caminho em que a dimensão do conhecimento científico e da excelência acadêmica seja um compromisso de toda a comunidade universitária para a formação de um profissional médico social e bioético.

Entendemos que uma excelente formação profissional não depende apenas de conhecimentos técnicos adquiridos numa formação médica. A capacidade de buscar informações e com ela construir conhecimentos, de relacionar-se com os demais membros da sociedade, de compreender-se na cultura contemporânea e de planificar ações com resultados, são indispensáveis num profissional médico capaz de interagir produtivamente no mercado e exercer plenamente sua cidadania. Esse é o fundamental papel das Instituições de Ensino Superior na atualidade e merece uma reflexão constante, sempre pensando no referencial da beneficência que o ensino trará ao educando.

Atrelado a essa questão, ainda a Escola Médica e o estudante de medicina devem se preocupar com um novo desafio durante a formação – o Exame Nacional para o curso de medicina – que desde o ano passado, alunos de medicina de todo o país participam de avaliações nacionais a cada dois anos durante o curso. Aqueles alunos que não obtiverem a nota mínima definida pelo MEC na última prova, não poderão obter o diploma nem ingressar na residência médica. A responsabilidade passa a ser uma via de mão dupla.

Diante disso, entendemos que se respeitando a autonomia dos envolvidos atrelado à componente competência no binômio ensino/aprendizagem, deverá ser garantida uma formação de qualidade com o compromisso da educação cumprindo rigorosamente com as práticas desejáveis e necessárias para uma perfeita formação acadêmica social e bioética dos estudantes de medicina.

22-03-2017
Professor Dr. Carlos Ferrara Junior
Diretor de Ensino da União Social Camiliana.