Tuberculose: como prevenir e curar?

A tuberculose é uma doença antiga, que acompanha o homem desde que passou a viver em comunidade. No passado, foi chamada de tísica, consunção, sempre com a conotação do quanto era capaz de debilitar e consumir o organismo dos que eram afetados por ela.

No século passado, foi tida como doença dos “boêmios”, “desregrados” e até dos “românticos”. No período do romantismo, por sua vez, ceifou muitas vidas de poetas jovens e promissores, que, sem tratamento, ou se curavam espontaneamente, ou sucumbiam à morte. Não havia prevenção e nem cura. Apenas a partir de 1945 foi descoberta a primeira droga contra a tuberculose, a estreptomicina.

A vacina BCG foi, então, administrada como prevenção mais ou menos nesse mesmo período. Estas duas tecnologias, aliadas à melhoria da qualidade de vida, contribuíram significativamente para a mudança do perfil de morbidade e mortalidade por tuberculose. Antes disso, o tratamento consistia em repouso, boa alimentação e vida regrada.

A cidade de Campos do Jordão era o local preferido para o tratamento, devido ao clima de montanha, considerado, na época, remédio para debelar a tuberculose. Durante um longo período, essa cidade teve muitos sanatórios para tratar e curar os doentes. Hoje, recebe apenas casos sociais.

Até meados da década de 80, os países ricos consideraram a tuberculose como um mal já debelado. Porém, com o advento da AIDS, a tuberculose ressurgiu com força total, o que fez a OMS, em 1993, declará-la como uma “Emergência Mundial”.

No Brasil, a situação foi diferente, pois com as iniqüidades sociais e todos os problemas da saúde pública, a tuberculose sempre atingiu as populações pobres e mais vulneráveis, afetando, principalmente, o sexo masculino na idade produtiva da vida. É uma situação que se perpetua até os dias atuais, porém com grandes melhorias e, muito embora a co-infecção tuberculose HIV exista, ela vem sendo bem manejada pelos serviços especiais (Centros de Referência – DST/AIDS).

O país recebeu ajuda externa, o que fez com que se investisse em políticas públicas, tratamento supervisionado, ou DOTs (tratamento diretamente observado de curta duração) - isto é, os profissionais acompanham o tratamento, observando se o doente mantém as tomadas regulares dos remédios até a cura final.

A busca ativa dos casos (toda pessoa com tosse por mais de três semanas deve ser investigada, por meio do exame de escarro) e o tratamento realizado nos serviços de saúde, têm contribuído para alcançar o controle desse mal que nos acompanha, mas ainda estamos longe de alcançar a meta proposta pela OMS.

A alta taxa de cobertura vacinal por BCG vem contribuindo para prevenir a tuberculose em crianças. Assim, torna-se imprescindível que os pais encarem a vacinação como algo sério.

A tuberculose multi-resistente, isto é, aquela que resiste aos medicamentos convencionais, muito preocupa. A cura é mais difícil, e o tratamento muito caro para os cofres públicos. Desse modo, é importante estar alerta e, ao menor sinal da doença, é preciso tomar providências. Estando doente é preciso seguir o tratamento até o final.

É importante lembrar, ainda, que tuberculose não se pega facilmente, é preciso contato íntimo, contínuo, além de debilidade do sistema imunológico. Após 15 dias de tratamento, o doente não transmite mais a doença. O pior problema em estar doente é conviver com o preconceito, segundo a opinião dos doentes com os quais convivemos. Assim, os que tiverem interesse em saber mais sobre o assunto, leiam o livro: “Tuberculose: como prevenir e curar?” Editora PAULUS, 2008 – autoria: Lúcia de Lourdes Souza Leite Campinas; Norma Fumie Matsumoto e Norma Etsuko Okamoto Noguchi.

Profª Drª Lúcia de Lourdes Souza Leite Campinas
Docente dos cursos de graduação e pós-graduação do Centro Universitário São Camilo São Paulo – Coordenadora Técnica do Curso de Especialização em Saúde Pública com ênfase no Programa Saúde da Família.

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