Estresse Ocupacional

São várias as transformações tecnológicas e organizacionais que ocorrem no mundo. Esses processos de mudança acarretam grandes modificações nas relações de trabalho, impondo aos trabalhadores necessidade constante de assimilar informações e aperfeiçoamento, fato que os leva ao desenvolvimento de fragilidade psicológica e fisiológica. Os riscos para instabilidade psicossociais no trabalho, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), estão relacionados, principalmente, à interação entre atividade laboral, ambiente, satisfação no trabalho e organização e as questões intrínsecas do trabalhador como, por exemplo, sua cultura, crenças e valores.

 Essas condições impostas podem levar ao estresse ocupacional, o qual é considerado uma das formas mais importantes de manifestação do estresse. Geralmente, acomete o indivíduo quando é submetido a: suporte precário para resolução de problemas, insuficiência de desenvolvimento pessoal, indefinição de objetivos organizacionais, deficiência na comunicação, práticas administrativas inapropriadas; atribuições ambíguas; desinformação e rumores; conflitos de autoridade; trabalho burocrático; planejamento deficiente; supervisão punitiva; imposição de muitas responsabilidades com pouca possibilidade de tomada de decisão e de controle.

O estresse ocupacional consiste, portanto, em experiência desagradável, associada a sentimentos de hostilidade, tensão, ansiedade, frustração e depressão, desencadeadas por estímulos do ambiente de trabalho aos quais o trabalhador não consegue elaborar adequado mecanismo de enfrentamento (coping). Dessa forma, os riscos ocupacionais resultam da ruptura na relação entre o trabalhador e os processos de trabalho e produção.

Quando essa exposição aos agentes estressores estabelece-se em longo prazo, pode-se observar, no trabalhador, a redução do senso de perspectiva e da habilidade para resolução de problemas, presença de emoções desprazerosas e reações de vários tipos, tais como: hipertensão, cardiopatia isquêmica, diabetes, asma, exacerbação de patologias autoimunes, esgotamento físico e mental, dificuldades de atenção e concentração, confusão mental, perda temporária da memória, irritabilidade, mal-estar generalizado e acidentes de trabalho.

Observa-se, portanto, que a presença de trabalhadores estressados pode, no contexto organizacional, levar ao desenvolvimento de atividades sem eficiência, inadequação na comunicação, falta de organização, insatisfação e diminuição da produtividade. Frente a isso, deve-se tornar preocupação constante dos profissionais envolvidos na manutenção da saúde ocupacional, a necessidade de elaboração de estratégias para prevenção e gerenciamento do estresse profissional, focando, principalmente, a minimização dos agentes estressores, a redução das divergências e a recuperação do bem-estar.

Rosana Pires Russo Bianco
Coordenadora do Curso de Enfermagem do Trabalho