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Responsabilidade
Social: o bem X o mal
Qual a intenção das empresas
que promovem ações de Responsabilidade
Social? Os críticos costumam acusar algumas
organizações de promover programas
com o intuito exclusivamente voltado à aparição,
marketing e vantagens fiscais. E nesse caso,
segundo opiniões diversas, estão
agindo de forma equivocada, distorcendo os limites
da compreensão do termo.
A primeira grande crítica a essa forma
de enxergar as ações de Responsabilidade
Social Empresarial recai sobre a maneira simplista
com que esses indivíduos enxergam o mundo.
Nem tudo pode se resumir a uma compreensão
maniqueísta da realidade. Dividir as coisas
puramente entre bem e mal é simplificar
demais a complexidade de algumas questões.
No caso da RSE, devemos entender algumas ações
como simplesmente capazes de responder a diferentes
interesses. A empresa que mantém fundações
e divulga os resultados de seu sucesso social
não deve ser respeitada? Se tal divulgação
se transforma em indicadores capazes de medir
o grau de influência dessa medida sobre
a sociedade, a organização passa
automaticamente a ser mal vista?
 Tentemos compreender o que está por trás
de todas as ações sociais das empresas.
Uma mescla de compromisso com o próximo,
desejo de promover justiça social, responsabilidade
com a realidade nacional, sensibilidade, vontade
de crescer e objetivo de elevar os lucros da
organização. Quem não combina
esses ingredientes e resume a concepção
a uma visão maniqueísta deixa de
lado a complexidade do tema.
Além disso, como já discutimos
anteriormente, o universo da RSE é representado
por uma mudança cultural significativa
na mentalidade e nas ações de empresários,
colaboradores e da sociedade em geral. Tal alteração
exige tempo, maturidade e ampla compreensão.
Se hoje ainda soam falsas as ações
de algumas organizações, devemos
entender o que envolve esse julgamento. Será preconceito
do observador? Falta de capacidade da empresa
de alcançar seus objetivos sociais? Programas
pouco compreendidos? Sociedade míope?
Ou distância entre o que se mostra e o
que efetivamente é feito?
Para auxiliar nesse debate e tornar mais
claras determinadas questões, verifiquemos alguns
resultados de levantamentos que, em outra ocasião,
detalharemos com mais calma. Pesquisa do Instituto
Ethos mostra que a sociedade assume como sendo
responsabilidade das empresas privadas questões
sociais que, legalmente, deveriam recair sobre
o Estado. Além disso, parte significativa
assume que realizou pelo menos uma compra, no últimos
meses, em que a escolha do produto foi motivada
por ações de RSE. Assim, se por
um lado a sociedade cobra, por outro ela recompensa.
Para completarmos nossa reflexão, um levantamento
da FIESP mostra que grande parte das empresas
realiza ações sociais, mas uma
parte muito pequena delas utiliza tais ações
para obter vantagens fiscais. Além disso,
a parte que divulga e faz propaganda de tais
projetos é ínfima frente ao preconceito
de parte da sociedade. Diante de tais exemplos
e reflexões, nos resta apenas tentar compreender
o espírito da Responsabilidade Social
Empresarial: algo bem afastado da simples e confortável
tentativa de reduzirmos nosso entendimento sobre
as coisas ao polarizado certo x errado ou bem
x mal. Algo que, apesar de precisar amadurecer
bastante, está muito longe de merecer
execração por parte dos críticos. Prof. Humberto Dantas
Docente do Centro Universitário São
Camilo
Consultor RSE
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