A competição e a inveja no trabalho

Se é que existem situações realmente difíceis de suportar e lidar, algumas delas com certeza, são a competição e a inveja no local de trabalho. Isso porque costumamos permanecer várias horas seguidas nos dedicando a atividades laborais imprescindíveis ao nosso sustento. Além dos desafios inerentes ao exercício de qualquer profissão, soma-se o desgaste oriundo dos relacionamentos conflituosos no trabalho. Penso que tal fato seja inevitável, pois as diferenças estão presentes em toda parte. O mais complicado talvez seja encontrar um meio de sinalizar o desconforto causado pelos invejosos para eles mesmos, já que nunca se reconhecem dessa forma, acreditando sempre que o problema está em seus desafetos e não em si mesmos.

Em quase todos os locais de trabalho existem pessoas que efetivamente trabalham, e aquelas que ocupam cadeiras, não realizando nada produtivo, empenhadas somente em fiscalizar o serviço alheio. Lógico que elas precisam encontrar defeitos, algo que sirva para diminuir o outro, caso contrário, não conseguem suportar a própria consciência, apontando o dedo para as virtudes do colega de trabalho. Quando se arriscam a fazer alguma coisa, os invejosos vão estabelecendo comparações para comprovar uma superioridade que há muito sabem não possuir. Instaura-se uma competição profissional, mas o que eles não percebem é que muitas vezes competem sozinhos. O outro pode nem estar percebendo a situação, afinal, sempre procurou trabalhar dando o melhor de si, sem se preocupar em ferir quem quer que fosse.

Respeito e distanciamento

A situação passa dos limites quando o invejoso, propositadamente, tenta prejudicar o colega induzindo-o a erro, falando mal dele pelas costas, sonegando informações importantes alegando esquecimento, ou menosprezando tudo que o colega considera importante e caro. Tenho conhecimento de muita gente que chegou a perder o emprego em função de intrigas invejosas. Tais situações podem efetivamente complicar a vida de quem se dispõe a trabalhar sem considerar que fazemos parte de um complexo sistema de relações, em que a competição e a inveja necessitam ser administradas para que possamos preservar nossos postos de trabalho.

Pensou que eu fosse dizer outra coisa, não é mesmo? Lamento muito. Infelizmente, não há como dar um fim a esse tipo de pessoa. Invejoso é como capim, em qualquer lugar se encontra um monte. Precisamos aprender a administrar a inveja e a competitividade profissional. Como? Procurando não dar importância aos comentários maldosos que o colega faz, só para nos estragar o dia. Guardando segredo acerca de informações íntimas que possam nos deixar vulneráveis a chantagens e aborrecimentos.

Evitando comentar sobre aquisições materiais ou conquistas pessoais com aqueles que, de antemão, você já sabe que “morrem de inveja de você”. Trate o invejoso com um respeitoso distanciamento. Se o ignorar, provavelmente ele irá fazer de tudo para que você o note, nem que seja lhe prejudicando. Se procurar ser amigo, corre o risco de ser apunhalado pelas costas. Invejosos quase não têm amigos, pois não sabem amar. Seu sentimento é destrutivo até mesmo consigo. Nunca conseguem estar realmente satisfeitos com seu desempenho e realizações. A grama do vizinho é sempre mais verde do que a sua. Respeitoso distanciamento: essa é a solução para continuar sobrevivendo num ambiente profissional adverso, competitivo e invejoso. E que Deus nos proteja.

Maria Regina Canhos Vicentin
Psicóloga e Escritora
(www.mariareginacanhosvicentin.zip.net)

 
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