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Um
Camiliano famoso no Chile
Pai da Imprensa Chilena Você já ouviu
falar em Padre Camilo Henríquez? Pois
bem, é um padre camiliano que ficou
muito conhecido no Chile na época da
independência daquele país.
Camilo Henríquez nasceu na cidade de Valdívia,
no Chile, em 20 de julho de 1769. Terminados
seus estudos primários na capital Santiago,
um tio materno, o Pe. Francisco Gonzáles
Laguma, religioso camiliano, eminente literato
e cientista da Universidade São Marcos
em Lima (Peru), o acolhe no convento da cidade.
Abraçou o estado religioso, completou
os estudos de filosofia e teologia e tornou-se
sacerdote camiliano em janeiro de 1796. Naqueles
anos, espalhava-se por toda a América
Latina o fermento de emancipação
do domínio espanhol e se difundiam as
idéias liberais e revolucionárias
imperantes na velha Europa. 
Naturalmente, o jovem Camilo, muito vivaz
e inteligente, tomou contato com estas
idéias através
da leitura secreta de livros proscritos pela
Santa Inquisição. Por esta razão,
também foi denunciado, mas se salvou da
condenação por intercessores influentes.
Em 1807, foi enviado com outros três religiosos
para Quito, Equador, onde fundaram uma comunidade
camiliana, lá permanecendo até 1809,
em meio a uma insurreição contra
o governo espanhol e a uma repressão sangrenta
que se seguiu.
Padre Camilo, profundamente marcado por estes
acontecimentos tristes e com um amor patriótico
inflamado, ao saber da insurreição
contra os espanhóis no Chile, sua pátria,
em 1810, deixou Quito e retornou para Santiago “para
sustentar as idéias dos bons e acender
no coração o fogo sagrado da pátria.” Tornou-se
um ardente promotor da independência do
Chile, um incitador público da independência,
sob o pseudônimo de “Quirico Lamáchez”.
Camilo dizia que “a imprensa é a
palavra mais eficaz para difundir as idéias”.
Seu espírito desbravador e pioneiro o
levou a publicar o primeiro periódico
chileno “L´aurora del Chile”,
seguido de outros periódicos e revistas
que lhe valeram o título de “fundador
e pai da imprensa chilena”. Ficou conhecidíssimo
como sendo “el Fraile de la Buenamuerte” (que
traduzido para o português significa: Padre
da Boa Morte).
Em 1812, o Chile finalmente se libertou
do domínio
espanhol e foi fundada a “Repubblica del
Chile”. Padre Camilo foi eleito o primeiro
secretário do primeiro Senado da República,
e, em seguida, várias vezes deputado.
Em 1824, precisou abandonar sua pátria
e emigrar para Buenos Aires (Argentina). Lá,
para ganhar seu sustento, dedicou-se à confecção
de charutos.
Neste período, estudou Matemática
e Artes e se doutorou em Medicina, profissão
que exerceu por pouco tempo. Continuou a escrever
e foi redator da “Gaceta Ministerial”,
de “El Censor-El Curioso”, onde escrevia
sobre hospitais, enfermidades e seus remédios.
Foi chamado de volta a sua Pátria por
Bernardo O´Higgins em 8 de fevereiro de
1822. Na qualidade de religioso camiliano, Camilo
também se formou como médico e
como político, apresentou e favoreceu
muitos projetos para melhorar a situação
da saúde da população chilena
melhorando a realidade dos hospitais, hospícios
e cárceres. Promoveu a criação
de uma junta de saúde, criou a biblioteca
nacional em 11 de julho de 1823, fundou um Instituto
nacional de cultura e trabalhou muito para abolir
a escravidão no Chile em 24 de julho de
1823.
Camilo Henríquez morreu em 14 de março
de 1825, aos 65 anos, numa pequena casa, como
humilde religioso, “crente sincero e pediu
para ser sepultado com seu velho hábito
da Ordem de São Camilo”. O congresso
chileno lhe rendeu honras fúnebres como
a um Ministro de Estado. A ele foram dedicados
alguns monumentos pelas inúmeras realizações
pioneiras relacionadas à independência
da pátria e ao fato de ter sido fundador
do jornalismo chileno, literato, poeta e estadista.
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