Dia 02 de Dezembro de 2011 - Notícias de 08/11/2011 a 02/12/2011

 

Procura pela residência médica tem desequilíbrio entre especialidades
Portal G1, 28/11/2011

Metade dos jovens de 14 anos já superou escolaridade de suas mães, diz levantamento
O Tempo (MG), 28/11/2011

Empresários criticam ensino no Brasil: falta conhecimento básico
Portal Aprendiz, 29/11/2011

20% dos adolescentes entre 15 e 17anos estão fora da escola
O Globo, 30/11/2011

País jovem dos meninos miseráveis
Estado de Minas, 01/12/2011

Frequência escola pelo Bolsa Família atinge 86%
IG Educação, 01/12/2011

Número de médicos no Brasil cresce 21,3% em uma década
O Estado de S. Paulo, 01/12/2011

Mulheres são mais da metade dos médicos recém-formados no Brasil
UOL Educação, 01/12/2011

Governo pressiona e apresentação do Plano de Educação é adiada
Folha de S. Paulo, 01/12/2011

Governo usará universitário para ajudar 254 escolas ruins
Folha de S. Paulo, 02/12/
2011

 

 

Número de novos casos de Aids cai no Brasil em 2010
Portal G1,
28/11/2011

Crise de financiamento ameaça avanços no combate à Aids, diz ONG
BBC Brasil, 29/11/2011

Recordista de soropositivos, África do Sul luta para reduzir mortes
Portal G1, 30/11/2011

1/4 dos médicos é de pediatras e ginecologistas
Estadão.com,
01/12/2011

Cientistas identificam dois novos sintomas de derrame
BBC Brasil,
02/12/2011

Portal G1, 28/11/2011
Procura pela residência médica tem desequilíbrio entre especialidades


Dermatologia é uma das mais procuradas. Infectologia e medicina do tráfego tiveram baixa procura.

Do G1, com informações do Jornal Nacional

As provas de residência médica aplicadas neste fim de semana em São Paulo revelaram um cenário preocupante. Algumas especialidades da medicina tiveram procura baixíssima e, para outras, faltaram vagas para tantos candidatos. Todo médico pode trabalhar logo que sai da faculdade, mas para exercer qualquer especialidade, como cardiologia ou ginecologia, por exemplo, o recém-formado precisa assumir uma vaga em um hospital, como residente, para aprender com profissionais experientes. A residência dura de dois a cinco anos, dependendo da área. Para conquistar uma vaga é preciso fazer prova. O problema é que a procura não é a mesma para todas as especialidades. Em algumas, o médico precisa apenas mostrar um mínimo de conhecimento, porque não tem disputa. Mas, em outras, a quantidade de candidatos é muito maior do que a de vagas. Neste caso, a residência vira um novo vestibular.

"Depois que você venceu a etapa do vestibular de medicina, que é um dos mais concorridos, você ainda tem que ficar entre os tops dos tops. É uma coisa bem difícil”, diz Diana Fernandes, que quer residência para anestesiologia.

Neste fim de semana teve no concurso na Universidade de São Paulo (USP). A especialidade mais procurada foi dermatologia: 16 candidatos por vaga. Para oftalmologia foram mais de 14, praticamente o mesmo número de neurocirurgia. Na escola paulista de medicina, da Unifesp, dermatologia também foi a mais procurada. Em seguida, vieram cirurgia geral e neurocirurgia. O excesso de procura em algumas áreas não é só coincidência de vocação. “Também há o lado do mercado. Aquilo que vai permitir que eles tenham um ressarcimento pelo trabalho que fazem”, afirma Gilmar Fernandes do Prado, coordenador da comissão de residência médica da Unifesp. A residência menos procurada na USP é a infectologia e na Unifesp, medicina do tráfego. O desequilíbrio na escolha, que acontece em todo o país, é considerado ruim para a medicina. “A gente sabe que em certas especialidades a procura pela residência medica é muito pequena e consequentemente menos especialistas nós teremos no futuro. Isso é uma realidade”, diz Antonio Carlos Lopes, presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica.

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O Tempo (MG), 28/11/2011
Metade dos jovens de 14 anos já superou escolaridade de suas mães, diz levantamento


DA REDAÇÃO

Mais da metade (51,45%) dos adolescentes de 14 anos do país já têm escolaridade superior à de suas mães. Entre os jovens dessa faixa etária, 71% cursam os três últimos anos do ensino fundamental e 9,5% estudam no ensino médio. Os dados indicam uma baixa escolaridade das mães de alunos dessa faixa etária que apresentam, em média, 7,32 anos. O levantamento foi feito pelo programa Todos pela Educação e a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2009, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os números indicam que a atual geração de crianças e jovens está superando a trajetória escolar de seus pais, mas também confirmam a baixa escolaridade de boa parte da população adulta. “Temos muitos pais e mães que são muito jovens e eles já são fruto dessa inclusão recente que o país promoveu. A melhoria ainda é lenta, mas o fato é que quanto mais avançado é o ano em que a criança nasceu, maior é a chance que ela tem de completar o ensino médio”, explica a diretora executiva do Todos pela Educação, Priscila Cruz.

O aumento dos anos de estudo gera um movimento positivo que causará impacto nas próximas gerações, diz Priscila. Para ela, a educação é o melhor investimento porque nunca retroage. "É muito difícil você encontrar alguém que admita que o filho tenha uma escolaridade menor do que a sua. Uma mãe que concluiu o ensino médio e um filho que não completou o ensino fundamental, por exemplo. São casos raríssimos”, acrescenta. Os dados compilados pela entidade também apontam a diferença de escolaridade entre famílias de alunos de escolas públicas e privadas. Enquanto, aos 14 anos, 60% dos estudantes da rede pública já atingiram a escolaridade de suas mães, na rede privada o percentual cai para 10%. Isso indica que as mães dos alunos dos estabelecimentos particulares têm escolaridade mais elevada. O mesmo cenário se repete na comparação entre famílias mais pobres e mais ricas.

A diferença entre os anos de estudo de pais e filhos também pode representar um obstáculo no desempenho do aluno. Pais menos escolarizados em geral se sentem despreparados para participar da vida escolar do filho. “Ele se sente acuado, acha que não pode ajudar e se envolver com os estudos do filho. Mas o importante é que a educação seja valorizada pela família, que ele seja um parceiro da escola para garantir que seu filho de fato aprenda”, pondera Priscila. Entre estudantes negros de 14 anos, o percentual daqueles que estudaram mais do que suas mães é 56,33%, enquanto entre os brancos a taxa é quase 10 pontos percentuais menor. Segundo Priscila, o dado aponta que além do fator renda, há uma diferença de escolaridade entre mães negras e brancas - o primeiro grupo frequentou menos a escola do que o segundo. A mesma desigualdade se verifica entre as regiões do país: enquanto no Sudeste menos da metade (47%) dos alunos de 14 anos atingiu a escolaridade de suas mães, no Nordeste esse grupo representa 58% da população nessa faixa etária.“A parte mais cruel da educação brasileira é a desigualdade. Em vez de ser um meio de superação, ela acaba reproduzindo e ampliando esse fosso”, avalia a diretora. AGÊNCIA BRASIL

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Portal Aprendiz, 29/11/2011
Empresários criticam ensino no Brasil: falta conhecimento básico

A tarefa era simples: como auxiliar administrativo de uma multinacional, o estagiário de ensino médio deveria analisar a ficha de diversos funcionários da empresa e calcular a percentagem de trabalhadores que possuíam ensino superior, ensino básico e curso técnico. O jovem não sabia nem por onde começar o levantamento e não conseguiu realizar o trabalho. O caso não é isolado, garantem empresários do setor industrial, e reflete a realidade de deficiência do ensino brasileiro, responsável pela má qualificação da mão de obra. Diretor global de Recursos Humanos da Vale, Luciano Pires conta que, recentemente, a segunda maior mineradora do mundo abriu 600 vagas para aprendizes no Pará e conseguiu selecionar apenas 200 candidatos. Para ele, o grande problema está na base da pirâmide educacional. “Existe muito o que fazer, sobretudo em matemática e português”, afirma. O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), Eduardo Eugênio Vieira, realizou uma pesquisa com mais de 200 empresários e detectou que o trabalhador tem dificuldade de interpretar dados – como no caso citado no início desta reportagem – e de agir rapidamente diante de problemas. “Isso é resultado de problemas na matemática, que são fundamentais para desenvolver o raciocínio”, afirma.

Dados do movimento Todos Pela Educação, publicados em dezembro do ano passado, comprovam o cenário. De acordo com a pesquisa feita com instituições públicas de ensino, somente 11% dos estudantes que terminam o terceiro ano do Ensino Médio demonstram aprendizado satisfatório em matemática, e cerca de 28% se formam com conhecimento de português. Vieira ressalta que a falta de noção numérica e da língua portuguesa afeta o desempenho profissional dos estagiários e trabalhadores, podendo até mesmo interferir no trabalho em grupo do setor ou da empresa. Diretor de Educação e Tecnologia da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Rafael Lucchesi concorda. “O Brasil não prepara a juventude para o trabalho, para a inserção competitiva. Temos problemas também na escolaridade e isso prejudica a entrada de alunos na educação profissional, porque falta conteúdo básico”.

Um estudo da consultoria Heidrick & Struggles – uma das maiores do mundo em contratação de executivos – mostra que a deficiência do ensino básico pode ser um problema para a formação de talentos brasileiros para o mercado internacional. O Global Index Talent 2011 (Índice Global de Talentos), elaborado pela consultoria, coloca os jovens brasileiros na 35º posição num ranking de formação de futuros executivos que envolve 60 países. O motivo seria a péssima qualidade do Ensino Fundamental. Na lista, o Brasil fica atrás de qualquer país desenvolvido e mesmo de outros emergentes, como Rússia, Argentina e Coreia do Sul. Diretor Executivo da Agência Brasileira de Estágios (ABRE), Fernando Luiz Braga Van Linschoten afirma que 90% dos estagiários de nível médio, cadastrados na agência, são provenientes de escolas públicas. “São os estagiários mais necessitados, tanto por renda, como por conhecimento”, diz. Por este motivo, Linschoten acredita que os empregadores já têm conhecimento desta deficiência, e normalmente são mais atenciosos e pacientes. “Da mesma forma, este é o estagiário que mais se esforça. Ele precisa trabalhar para ajudar a família, então coloca muita dedicação em cima da oportunidade que recebeu”, explica.

‘Ensino médio prepara somente para o vestibular’, diz educador - Fórmulas e macetes para decorar e alunos que não veem sentido em conteúdos como química e física. Para o fundador do Instituto Crescer para a Cidadania, Dilermando Allan Filho, é este o cenário nas salas de aula brasileira. “A escola não prepara o aluno para a vida ou para o mercado. Prepara para o vestibular, e de forma falha”, diz. Este ensino que vem acompanhando de fórmulas e conteúdos que aparentemente não têm aplicação na vida adulta, resulta, para Allan Filho, em um estudante desinteressado e que não frequenta a aula. Segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2009 , 40% dos jovens de 15 a 17 anos abandonam a escola (Ensino Médio) por desinteresse, e 27% por razões de trabalho e renda.

“Não há mais espaço para a escola que temos hoje, onde o foco ainda é a transferência de conteúdos estanques. Os alunos precisam desenvolver suas competências e habilidades cognitivas, produtivas e relacionais”, opina, destacando que acredita no projeto proposto pelo Conselho Nacional de Educação, que prevê um modelo de currículo dividido em áreas – ciência, tecnologia, cultura e trabalho. Este novo Ensino Médio visa a uma formação técnica voltada para o mercado. “Atualmente, as escolas ensinam química e aquilo não significa nada para alguns alunos, é um conteúdo muito distante da realidade dele. A mudança proposta por nós visa a dividir as escolas por áreas de interesse e ensinar para o estudante uma química sobre a perspectiva do mercado. Ou seja, uma química que faça sentido para ele, que ele saiba que vai usar durante a vida”, explica Mozart Neves Ramos, presidente do Todos Pela Educação e membro do CNE, que aprovou por unanimidade o projeto, que ainda precisa ser homologado pelo ministro da Educação, Fernando Haddad, para entrar em vigor.

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O Globo, 30/11/2011
20% dos adolescentes entre 15 e 17 anos estão fora da escola

Os principais motivos para a evasão seriam problemas de qualidade no ensino

RIO - O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) divulgou nesta quarta-feira, em Brasília, uma pesquisa sobre a situação dos adolescentes brasileiros. O relatório analisa a situação de meninas e meninos de 12 a 17 anos a partir da evolução de 10 indicadores entre 2004 e 2009. Na área da educação, o órgão aponta que 20% dos adolescentes entre 15 e 17 anos estão fora da escola, em uma faixa etária que abrange praticamente todo o ensino médio. Quando analisada a faixa de 6 e 14 anos a situação é mais tranquila, com apenas 3% fora da escola.

Na área da educação, o Unicef propõe como uma ação imediata o estabelecimento de um plano específico no Plano Nacional de Educação (PNE) para os adolescentes fora da escola, em risco de evasão ou retidos no ensino fundamental. O PNE estabelece 20 metas para a educação brasileira nos próximos dez anos e é analisado na Câmara dos Deputados. Para a representante da Unicef no Brasil, Marie-Pierre Poirier, os principais motivos para a evasão são problemas de qualidade no ensino fundamental, pressão no trabalho e aumento de adolescentes mães.

De acordo com a pesquisa da Unicef, em 2009, 75,7% das meninas que tinham filhos estavam fora da escola, enquanto 6,1% das meninas que não eram mães não estudavam. As regiões Norte e Nordeste tiveram a maior taxa de abandono do ensino médio em 2009, 16,4% do total. No sentido contrário, o sul do país tinha, no mesmo ano, o maior percentual de adolescentes com ensino fundamental concluído, ou seja, no mínimo oito anos de estudo, 62% do total.

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Estado de Minas, 30/11/2011
País jovem dos meninos miseráveis


Segundo relatório do Unicef, 3,7 milhões de brasileiros com idade entre 12 e 17 anos vivem em situação de extrema pobreza, com renda per capita menor que R$ 128,50

Larissa Leite

Brasília – No Brasil, a pobreza e a miséria têm rosto de criança e adolescente. Foi o que constatou o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) em relatório divulgado ontem. A partir de dados oficiais, a entidade chegou à conclusão de que houve uma piora no indicador entre brasileiros entre 12 e 17 anos: de 2004 a 2009, o percentual de adolescentes vivendo em famílias extremamente pobres cresceu de 16,3% para 17,6%, o que representa 3,7 milhões de pessoas. Na população em geral, ao contrário, o percentual de extrema pobreza – renda per capita inferior a um quarto do salário mínimo (R$ 128,50) – diminuiu de 12,4% para 11,9% no mesmo período. “O problema não é o adolescente e sim a violação constante dos seus direitos. (…) O principal desafio é quebrar o ciclo infernal da pobreza”, avalia a representante da Unicef no Brasil, Marie-Pierre Poirier. A situação fica ainda mais alarmante se for levado em conta que o país vive o ápice da juventude. O Brasil nunca teve e não voltará a ter tão grande população de adolescentes na sua história, segundo o Unicef – são 21 milhões de pessoas, o equivalente a 11% da população brasileira.

Gente como Tatiane Correa, 15 anos, que mora com os pais e três irmãos no Varjão (DF). A estudante e a família sobrevivem com uma renda de R$ 700 e limitações que vão além da questão financeira. “Até comprei uma bicicleta, mas eles só andam aqui perto e têm hora para voltar”, diz Michele Correa, de 33. A mãe dos adolescentes tenta mantê-los por perto, longe da droga e da violência. De acordo com o relatório do Unicef, os jovens que moram nas comunidades populares dos grandes centros urbanos enfrentam mais um cotidiano marcado por dificuldades. São quase 6 milhões vivendo nas 10 maiores regiões metropolitanas do país. Entre eles, cerca de um terço é pobre ou muito pobre. Segundo o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Rômulo Paes, o aumento de adolescentes na extrema pobreza pode ser explicado pelo crescimento populacional.

“O efeito demográfico fez com que uma faixa muito numerosa da população aumentasse o grupo de adolescentes. Mas essa massa populacional aumentou sem alteração da massa de rendimentos, que só vai mudar com a inserção no mercado de trabalho.” A pasta tem o objetivo de retirar 16,2 milhões de brasileiros da extrema pobreza até 2014 por meio do Plano Brasil sem Miséria. Eles chefiam lares - O número de lares chefiados por crianças e adolescentes no Brasil dobrou na última década, informa ainda o relatório do Unicef. Atualmente, 661 mil casas são chefiadas por jovens entre 15 e 19 anos e outras 113 mil por meninos e meninas de 10 a 14 anos. Há lacunas de assistência para jovens em outras áreas. O homicídio, por exemplo, é a primeira causa de morte nessa fase da vida.

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IG Educação, 30/11/2011
Frequência escola pelo Bolsa Família atinge 86%

Estatística trata dos meses de agosto e setembro e é a segunda melhor desde 2006

Agência Brasil

Entre os meses de agosto e setembro, 86% das crianças cujas famílias recebem Bolsa Família atingiram a meta de assiduidade na escola. É o segundo melhor resultado para o período desde 2006. O Rio Grande do Norte é o estado que tem maior frequência de crianças matriculadas. Segundo dados Ministério do Desenvolvimento Social e Combate Fome (MDS) em parceria com o Ministério da Educação (MEC), o estado tem 91% de crianças e adolescentes frequentando a escola, seguido pelo Rio Grande do Sul com 90%. Analisados dados de frequência por região, o Nordeste, com 86%, ficou em terceiro lugar. A Região Sul lidera com 89%, seguido pelo Sudeste com 87%.

O pior índice é no Centro-Oeste com 82%. "Os municípios estão cada vez mais comprometidos com as contrapartidas do programa. Os bons resultados mostram que a rede educacional brasileira está cumprindo seu papel. É mais importante do que informar os dados é garantir a permanência dos alunos nas escolas”, disse Marcos Maia, coordenador-geral de Acompanhamento das Condicionalidades do MDS.

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O Estado de São Paulo, 01/12/2022
Número de médicos no Brasil cresce 21,3% em uma década

Pesquisa atribui o aumento ao boom das faculdades de Medicina; 77 escolas foram criadas nos últimos anos

Agência Brasil

BRASÍLIA – Na última década, o número de médicos cresceu 21,3%, índice superior ao aumento da população no mesmo período, que foi 12,3%. A categoria já soma 371.788 profissionais em atividade e coloca o Brasil como o quinto país em número absoluto de médicos, segundo a pesquisa Demografia Médica no Brasil, encomendada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp). Divulgada nesta quarta-feira, 30, a pesquisa reitera que não há falta de médicos, mas que eles estão distribuídos de forma desigual entre as regiões. O Sudeste e o Sul continuam a concentrar a maioria – com duas vezes mais médicos que as outras regiões. Os motivos são a maior oferta de emprego, de rede de hospitais, de escolas e a melhor qualidade de vida, o que acaba atraindo mais profissionais.

Os pesquisadores calculam 1,95 médico para cada mil brasileiros. O Distrito Federal lidera o ranking com 4,02 médicos por mil habitantes, seguido pelo Rio de Janeiro (3,57), por São Paulo (2,58) e pelo Rio Grande do Sul (2,31) – taxas comparadas às de países europeus. Na outra ponta, estão o Amapá, Pará e Maranhão com menos de um médico por mil habitantes. “Não há falta generalizada de médicos no País. São as desigualdades de distribuição que conduzem a focos de escassez em determinados municípios, regiões, redes de serviços de saúde”, disse Mário Scheffer, coordenador do levantamento e pesquisador da Faculdade de Medicina da USP.

A pesquisa atribui o aumento de médicos ao boom das faculdades de Medicina nos últimos anos. De acordo com os dados levantados, 77 escolas médicas foram criadas de 2000 a 2010, o equivalente a 42,5% das escolas abertas em dois séculos no Brasil. Das 77 novas faculdades, as turmas não concluíram o curso em 25 delas. Estima-se 16,8 mil novos profissionais a cada ano. Os dados reforçam as críticas das entidades médicas em relação à posição do governo sobre a abertura de cursos de Medicina. “Um médico malformado é um problema no SUS (Sistema Único de Saúde), que vai durar 40 anos. Não é mais uma solução”, disse Desiré Callegari, primeiro secretário do CFM. No último dia 18, o Ministério da Educação anunciou o corte de 514 vagas de Medicina em cursos com desempenho insatisfatório. No entanto, a pasta, junto com o Ministério da Saúde, prepara um plano para ampliar a oferta de vagas de Medicina, por determinação da presidente Dilma Rousseff.

“O ministério tem preocupação com a qualidade das escolas. Nós, junto com o MEC, fecharemos as vagas de escolas de baixa qualidade, mas abriremos novas vagas que garantam qualidade nas regiões que precisam”, explicou Alexandre Padilha, ministro da Saúde. Em relação à distribuição dos profissionais, Padilha disse que a pasta tem adotado medidas para fixar os médicos no interior e nas periferias das capitais, entre elas, descontos na dívida do financiamento estudantil para os recém-formados que trabalharem na rede pública de áreas pobres e com deficiência de médicos.

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UOL Educação, 01/12/2011
Mulheres são mais da metade dos médicos recém-formados no Brasil

Carolina Pimentel Repórter da Agência Brasil, em Brasília

Desde 2009, as mulheres representam mais da metade dos médicos brasileiros recém-formados. É o que revela a pesquisa Demografia Médica no Brasil, divulgada hoje (30) pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp). Naquele ano, foram registradas 7.301 novas médicas no país, 50,23% do total. Em 2010, a taxa subiu para 52,4% do total, com 7.634 profissionais mulheres. Elas também são maioria entre os jovens profissionais da categoria com até 29 anos. Em 2011, dos 48.569 médicos nessa faixa etária, 53,3% eram mulheres ante 46,6% de homens.

Para os pesquisadores, a feminização na medicina acompanha o aumento de mulheres na população brasileira em geral e é também uma tendência em outros países. Um estudo da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), de 2007, revelou que a proporção de mulheres médicas, em 30 países estudados, cresceu 30% entre 1990 e 2005. No entanto, os homens estão em maior número entre os profissionais em atividade. Dos 351.779 médicos ativos no país, 206.639 são do sexo masculino (58,7%) e 145.140 são do feminino (41,2%). “Ao menos nas próximas décadas, o predomínio dos homens na medicina deve permanecer”, conclui a pesquisa.

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Folha de S. Paulo, 01/12/2011
Governo pressiona e apresentação do Plano de Educação é adiada

RENATO MACHADO
DE BRASÍLIA

Após a pressão do governo, o relator do PNE (Plano Nacional de Educação), deputado Angelo Vanhoni (PT-PR), decidiu adiar mais uma vez a leitura de seu texto na comissão especial que analisa o assunto na Câmara. A apresentação estava programada para a manhã desta sexta-feira.

O principal ponto de discórdia é a meta 20 do PNE, que prevê um percentual de investimento público em educação. O projeto original do Ministério da Educação prevê elevação gradual até atingir 7% do PIB (Produto Interno Bruto). Setores da educação defendem um índice de 10%.

Vanhoni busca uma proposta intermediária em consenso com o Palácio do Planalto. Na tarde desta quarta-feira, ele e outros deputados se reuniram com quatro ministros do governo para discutir a questão: Fernando Haddad (Educação), Guido Mantega (Fazenda), Ideli Salvatti (Relações Institucionais) e Gleisi Hoffmann (Casa Civil). O encontro, no entanto, terminou sem um acordo.

O relator havia informado que as negociações se manteriam até o início da sessão, mas descartou durante a noite adiar mais uma vez a apresentação. Ele próprio disse nesta sexta-feira que recebeu ligações da ministra Gleisi Hoffmann e outros líderes pedindo uma margem de tempo maior para um acerto.

"O governo pediu um pouco mais de prazo para poder tomar a sua definição. As consultas a respeito de um índice dessa envergadura não poderia ficar apenas restrita aos ministros. Uma discussão sobre esse tema precisava ser levada para a presidente Dilma, o tema merece", disse Vanhoni. A presidente vai viajar na tarde de hoje para a Venezuela.

Vanhoni disse que "há um espaço para entendimento" com o governo federal. O relator quer uma "proposta intermediária", em torno de 8% do PIB. Ele afirma que vai protocolar agora o seu relatório na segunda-feira e a leitura será feita no dia seguinte.

Muitos deputados já consideram que não haverá prazo regimental para a votação do texto neste ano. Há prazo regimental para a votação no dia até o dia 21, mas pedidos de vistas podem prejudicar o processo. Depois o tema será encaminhado para o Senado.

"Que leve para 2012. Correremos o risco inclusive de em 2012 não ser aprovado por ser um ano eleitoral", disse a deputada Fátima Bezerra (PT-RN) que defende um índice acima de 7%.

O deputado Dr. Ibiali (PSB-SP)afirma que a cautela em torno da questão financeira é descabida. "Se a crise vai atingir nosso país, cai também o PIB", disse.

O deputado Paulo Rubem Santiago (PDT-SP) informou que pretende convocar os ministros Gleisi Hoffmann e Guido Mantega para discutir o assunto na comissão e reclamou da ausência deles no período em que o PNE foi trabalhado.

O PNE (projeto de lei 8035/2010) contém 10 diretrizes e 20 metas que vão nortear as ações de educação nesta década. Estão presentes no plano a universalização do ensino para todas as crianças e jovens entre 4 e 17 anos, o aumento de vagas no ensino técnico médio, a elevação da titulação dos professores de nível superior, entre outras metas.

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Folha de S. Paulo, 02/12/2011
Governo usará universitário para ajudar 254 escolas ruins

Intenção da Secretaria da Educação é que estudante colabore com professores

Medida integra novo pacote de ações para a rede estadual de ensino que será divulgado hoje pelo governador

FÁBIO TAKAHASHI
DE SÃO PAULO

O governo paulista vai dar auxílio mensal de R$ 500 para universitários que fizerem estágio em colégios básicos estaduais considerados ruins.

A ideia é que estudantes de licenciaturas ajudem no ano que vem 254 escolas que têm mais dificuldades pedagógicas ou que estão localizadas em áreas periféricas. A rede estadual tem 5.000 unidades.

Segundo o governo, além de auxiliar a rede no curto prazo, os universitários terão experiências que os deixarão mais bem preparados para quando estiverem formados.

A medida integra novo pacote de ações na educação -que a Folha antecipou-, a ser anunciado hoje pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB). No evento, ele vai convocar a sociedade a participar da melhoria do ensino.

A gestão visa colocar o Estado entre as 25 melhores redes do mundo até 2030. Atualmente, está em 53ª entre 65, considerando simulação que apresenta SP como um país no Pisa (prova internacional).

PLANO DE TRABALHO

Para atingir a meta, o governo lançou em outubro um plano de melhorias. Agora, apresenta ações complementares. Uma das principais é o aperfeiçoamento dos estágios de alunos de licenciatura.

A avaliação da secretaria é que os estágios atuais têm tido pouco efeito para os licenciandos e para as escolas.

No novo programa, chamado de Residência Escolar, os estudantes terão de apresentar um plano de trabalho, que será acompanhado por um professor da unidade.

Os bolsistas poderão ajudar os docentes nas aulas, em correção de trabalhos ou no auxílio aos alunos com dificuldades. Cada estagiário terá um programa diferente.

O governo diz que já tem acordo com PUC, Mackenzie, UFSCar, UFABC e Unifesp.

Os bolsistas farão estágio de 400 horas -o normal é 300 horas no curso todo.

"Haverá benefícios para os universitários, que terão uma formação melhor, e para as escolas, que poderão contar com esses estagiários", disse a responsável pela Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas, Leila Mallio.

Paralelamente, está mantido o programa do professor-auxiliar, que fica na sala de aula com o docente titular, nos cinco primeiros anos do ensino fundamental.

Iniciado na gestão José Serra (PSDB), o projeto enfrenta falta de professores interessados (60% das turmas previstas estão desatendidas).

O plano de Alckmin é o segundo da gestão tucana em São Paulo em quatro anos. O anterior, de Serra, terminou em 2010, com metas parcialmente atingidas.

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Portal G1, 28/11/2011
Número de novos casos de Aids cai no Brasil em 2010

País registrou 34,2 mil novos casos da doença contra 35,9 mil em 2009.
No ano passado, 11,9 mil pessoas morreram em decorrência da Aids.

Nathalia Passarinho Do G1, em Brasília

Os novos casos de Aids e óbitos pela doença sofreram pequena queda em 2010, quando comparados a 2009, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (28) pelo Ministério da Saúde.

Foram registrados no país 34,2 mil novos casos de Aids no ano passado, contra 35,9 mil em 2009. De 1980 a junho de 2011, 608.230 pessoas foram infectadas no país. A taxa de incidência da doença passou de 18,8 por 100 mil habitantes em 2009 para 17,9 em 2010.

No ano passado, 11,9 mil pessoas morreram em decorrência da Aids, enquanto em 2009 foram registradas 12 mil mortes. Apesar da leve redução, o coeficiente de mortalidade se manteve igual - 6,3 por 100 mil habitantes.
“Estamos vendo uma tendência de diminuição do número de casos ao longo dos anos, as pessoas estão vivendo mais e melhor com a doença”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Regiões
O Sudeste concentra a maior incidência da doença, com 343.095 casos (56,4%), seguido pelo Sul, com 123.069 registros (20,2%), Nordeste, com 78.686 (12,9%), Centro Oeste, com 35.1116 (5,8%) e Norte, que registra 28.248 casos- 4,6%. A maior preocupação do governo é com as regiões Sul, Sudeste e Norte, que registraram aumento da taxa de incidência em 2010.

Homens
O número de casos de Aids é maior entre os homens quando comparado às mulheres. De 1980 a junho de 2011, foram identificados 397.662 (65,4%) casos da doença no sexo masculino e 210.538 (34,6%) no sexo feminino.

No entanto, essa diferença vem diminuindo ao longo dos anos. Em 1989, a razão era de seis homens infectados para cada mulher, enquanto em 2010 passou para de seis a cada 1,7. Em 2010, a taxa de incidência entre homens foi de 22,9 casos por 100 mil habitantes e nas mulheres, a taxa foi de 13,2 por 100 mil habitantes.

Por causa do aumento de casos de Aids no sexo feminino, um dos focos da campanha de prevenção do governo federal serão mulheres de 13 a 19 anos. Outro objetivo será prevenir novos casos entre jovens gays.

“Dois dados chamam a atenção e preocupam. Um deles é a presença maior de mulheres infectadas por HIV do que homens na faixa de 13 a 19 anos e aumento importante dos casos entre jovens gays e travestis”, disse o ministro.

De acordo com o Ministério da Saúde, entre os jovens gays de 18 a 24 anos, a prevalência da doença é de 4,3%. Quando comparado com os jovens em geral, a chance de um jovem gay estar infectado pelo HIV é 13 vezes maior. Na população de 15 a 24 anos, incluindo homens e mulheres, de 1980 a 2011, foram diagnosticados 66.698 infecções pelo vírus da Aids, o que representa 11% dos casos da doença.

Cor
A incidência do vírus da Aids é praticamente a mesma entre brasileiros brancos e negros. Dos casos registrados em 2010, 49,6% são de brancos, 49,4% de negros, 0,5% de amarelos e 0,4% de indígenas.

Escolaridade
Do total de casos de Aids registrados até junho de 2010, a maior proporção (26,3%) está entre pessoas que têm entre 4 e 7 anos de estudo. Outro foco do governo na campanha de prevenção será orientar as pessoas a fazer o teste de HIV.
"O objetivo do governo é detectar mais precocemente para que o tratamento se inicie logo e a pessoa infectada possa viver mais e melhor", afirmou Padilha.

Dados mundiais
Na semana passada, as Nações Unidas divulgaram que 34 milhões de pessoas no mundo conviviam com o vírus HIV até o fim de 2010. O balanço de soropositivos foi divulgado pela Unaids, braço da organização que mantém estatísticas e iniciativas sobre a doença.

Segundo a agência, o aumento no número de casos se deve à expectativa de vida cada vez maior para as pessoas contaminadas, graças aos avanços nas terapias contra doença.

No ano passado, foram 2,7 milhões de novas infecções pelo HIV e 1,8 milhão de óbitos por conta de complicações ligadas à Aids. O número de mortes ligadas à doença no mundo caiu 21% desde 2005. Novas infecções anuais pelo HIV diminuíram 21% desde 1997. Desde 1995, o acesso a tratamento poupou 2,5 milhões de vidas em todo o mundo.
Na América Latina, os números da epidemia continuam estáveis, com uma média de 100 mil novos casos de infecção a cada ano desde 2001. As mulheres representam um terço das pessoas infectadas até 2010.

O papel do Brasil no combate à doença foi destacado pela ONU, que louvou o país por atender pacientes "mais vulneráveis e marginalizados".

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BBC Brasil, 29/11/2011
Crise de financiamento ameaça avanços no combate à Aids, diz ONG

Paula Adamo Idoeta
Da BBC Brasil em São Paulo

A crise de financiamento ao Fundo Global de combate à Aids, à malária e à tuberculose ameaça os recentes avanços obtidos no tratamento de pacientes com HIV, afirmou nesta terça-feira o presidente internacional da ONG Médicos Sem Fronteiras, Unni Karunakara, que está em visita ao Brasil.

"Pela primeira vez, vemos redução no número de infecções (por HIV), e, mantendo o trabalho atual, poderíamos controlar (o avanço da doença). Mas tudo isso está a perigo", afirmou em entrevista coletiva o indiano Karunakara, que é médico infectologista.

A situação do Fundo Global de Combate à Aids, TB e Malária despertou atenção internacional na semana passada, quando o organismo anunciou que não financiará novos projetos até 2014, por falta de verbas, e que até mesmo os projetos em andamento correm risco.

O Fundo pediu US$ 20 bilhões a doadores internacionais, mas recebeu US$ 11,5 bilhões – menos do que o mínimo esperado, US$ 13 bilhões, que é o quanto o organismo diz precisar para manter seus programas até 2014.

A falta de dinheiro é atribuída principalmente à crise internacional – alguns dos principais doadores são países desenvolvidos enfrentando altos deficits –, mas muitos doadores cortaram seus financiamentos temporariamente por conta de acusações de mau uso do dinheiro por parte do fundo.

A falta de dinheiro agora ameaça projetos em andamento principalmente na África Subsaariana, onde está a maior parte dos 34 milhões de portadores de HIV no mundo.

Para Karunakara, países emergentes como o Brasil têm "um papel importante em mostrar liderança" e garantir que o financiamento seja mantido. "Se os países não lidarem com isso agora, terão de lidar depois."

Perigo de retrocesso

Segundo Karunakara, os avanços no combate à Aids foram substanciais na última década, e a manutenção do fluxo de dinheiro é necessária para manter esses progressos.

"Em 2000, o preço anual para tratar uma pessoa infectada era de US$ 10 mil. Hoje é de US$ 70. Ainda assim, o dinheiro precisa vir."

A preocupação é que haja um retrocesso no tratamento de HIV nos países mais pobres. O Fundo Global tem financiamento público e privado e provê a maior parte da verba usada por países em desenvolvimento para a compra de medicamentos antirretrovirais.

A agência Reuters relata que a situação é especialmente dramática na Suazilândia, sul da África, onde 26% da população tem HIV e onde os estoques de antirretrovirais já estão diminuindo.

A crise do fundo chama a atenção poucos dias antes da celebração do Dia Mundial de Combate à Aids, em 1º de dezembro, e em meio a boas notícias relacionadas ao controle da doença.

No dia 21, a ONU informou que as infecções pelo vírus HIV no mundo alcançaram seu nível mais baixo dos últimos 14 anos e caíram 21% em relação ao pico registrado em 1997.

Para a entidade, as causas da queda foram a resposta da comunidade internacional à epidemia da doença e a melhora do acesso ao tratamento na última década.

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Portal G1, 30/11/2011
Recordista de soropositivos, África do Sul luta para reduzir mortes

Período de negligência impediu acesso dos mais pobres a remédios.
G1 visitou hospital especializado na região com maior índice de Aids.

Dennis Barbosa Do G1, em Durban

É cedo da manhã quando funcionários e pacientes no Hospital McCord, em Durban, na África do Sul, se reúnem na recepção para a cerimônia do Dia Mundial de Combate à Aids, que acontece nesta quinta-feira (1º ).

Trata-se de um hospital missionário, fundado há mais de um século por um americano, com o intuito de ajudar o povo zulu, etnia que vive nessa região. O tom do evento é religioso. O pregador pede a Deus que ajude os cientistas a desenvolverem uma cura para derrotar de vez o HIV.

Em outro momento, lembra que a Aids não é a primeira doença a ameaçar a África, nem será a que conseguirá destruí-la. O paciente que iria discursar passou mal e não veio. Todos fazem um minuto de silêncio pelos amigos que já se foram.

Durban é a maior cidade da província de Kwazulu-Natal, a que tem maior número de pessoas com HIV dentro do país com mais portadores da doença no mundo. Levantamento de 2008 indica que 15,8% da população da província está infectada, índice mais de 30 vezes maior que no Brasil. A expectativa de vida em Kwazulu-Natal não chega a 53 anos.

E em toda a África do Sul, a Aids é responsável por quase metade de todas as mortes. Relatório do governo mostra que das 591 mil pessoas que morreram no país em um ano, 258 mil sucumbiram a essa doença. O HIV tem sido muito mais mortífero do que foi o regime racista do apartheid.

A cultura zulu é, por uma série de circunstâncias, uma facilitadora da doença. Nas áreas rurais, a estrutura social ainda é patriarcal. Os homens podem se relacionar com muitas mulheres.

Ao mesmo tempo, os casos de violência contra as mulheres são frequentes. Fazendo sexo, consensualmente ou não, muitas delas acabam infectadas.

As opiniões controversas do ex-presidente Thabo Mbeki, que governou de 1999 a 2008, sobre a Aids, também foram um fator para que o país chegasse a este estado.

Ele questionava a ligação entre o vírus HIV e a doença Aids, além de não estar convencido da importância dos antirretrovirais. Seu governo encorajou por muito tempo um modo de vida saudável, recomendando, por exemplo, o consumo de legumes, em vez do uso de medicamentos contra a doença. Os antirretrovirais não chegavam aos mais pobres e milhares morreram desnecessariamente.

“Lembro de ver avós que gastavam a aposentadoria inteira para comprar remédios para salvar a vida dos netos infectados”, conta Lungile Hlongwa, assistente social do Hospital McCord.

Avós que cuidam de netos cujos pais morreram de Aids são comuns no país. A estimativa oficial é que haja 2 milhões de crianças órfãs por causa da doença. E grande parte delas também está contaminada.

Apesar do quadro crítico, as perspectivas têm ficado mais otimistas graças ao maior acesso aos coquetéis de medicamentos antirretrovirais, aos quais agora 1 milhão de pessoas têm acesso no país.

“Ainda assim, para cada pessoa que recebe tratamento com antirretrovirais, duas são infectadas. Isso é um desastre de saúde pública”, diz a professora Helen Rees, da Universidade de Witwatersrand, em Johanesburgo, a uma rádio local. Calcula-se que haja 5,6 milhões de soropositivos em um total de cerca de 50 milhões de habitantes na África do Sul.

Graças aos antirretrovirais, na unidade pediátrica do McCord, a reportagem do G1 só viu crianças bem-alimentadas e com aparência sadia. “Com os antirretrovirais as crianças ganham peso e logo vão à escola”, relata Lungile Hlongwa. O local parece uma simples creche.

Os pequenos pacientes não são mais preparados para a morte. “Aqui eles aprendem a como viver tendo HIV”, diz a assistente-social. A unidade de tratamento paliativo foi desativada, porque se decidiu investir recursos de outras maneiras.

Tuberculose
O passeio pelo hospital passa por uma cabana de madeira ao ar livre, para onde são mandadas as pessoas com qualquer sinal de tuberculose. Essa doença pulmonar, associada à Aids, tem um resultado mortal. Metade das pessoas que vão parar na cabana têm, de fato, tuberculose, relata uma funcionária.

Por ser um hospital privado, ainda que beneficente, o McCord tem mais recursos que as unidades de saúde pública e, por isso, quem consegue tratamento ali pode se considerar privilegiado. São cerca de 6 mil adultos e 1.250 crianças. “O que oferecemos aqui o governo não tem condições de dar a todos”, aponta Lungile.

A reportagem tenta abordar pacientes na unidade de HIV, mas funcionários pedem para evitar constrangimentos. “Eles vão aceitar falar, mas eles aceitam qualquer coisa que pedirem, pois estão muito fragilizados”, intervém uma colaboradora. A Aids ainda é um fator grave de preconceito e exclusão. O resultado é que muitas pessoas se recusam a fazer o teste para saber se estão contaminadas, o que agrava ainda mais a situação.

O atual presidente da África do Sul, Jacob Zuma, deve apresentar nesta quinta-feira um novo plano estratégico de combate à Aids.

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Estadão.com, 01/12/2011
1/4 dos médicos é de pediatras e ginecologistas

Das 53 especialidades, angiologia, cirurgia de mão e genética médica são as que apresentam menos profissionais

LÍGIA FORMENTI / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

Estudo feito pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) mostra que quase um quarto (24,46%) dos especialistas médicos brasileiros é pediatra ou ginecologista. Das 53 especialidades registradas, angiologia (vasos sanguíneos), cirurgia de mão e genética médica são as que apresentam menor porcentual de profissionais titulados. São 282 angiologistas (0,14%), 202 cirurgiões de mão (0,09%) e 156 especialistas em genética médica (0,08%).

Pediatria é a que mais forma profissionais: são 13,31% dos 204.563 médicos titulados em atividade no Brasil. Em terceiro colocado estão os anestesistas, que respondem por 7,25% dos profissionais que fizeram residência.

Números apresentados pelo estudo colocam em xeque a ideia de que médicos jovens se voltam apenas para especialidades mais rentáveis no momento depois do curso de graduação. Os titulados em clínica médica têm a mais baixa média de idade de todo o grupo: 37,5 anos. Especialistas de medicina de família têm média de 39,5 anos e os de cirurgia geral, 42,7 anos.

Entre especialistas titulados em atividade, 59,39% são homens. Um número que se assemelha ao universo de médicos ativos: 59,85% são homens. Mas o número de mulheres jovens que procuram especialidades é crescente. E também elas concentram suas escolhas em áreas básicas. "O desafio é, mais uma vez, atrair esses médicos para trabalhar no sistema público de saúde e nas regiões de difícil provimento de profissionais", informa o trabalho.

Apresentado ontem, o trabalho mostra que generalistas em atividade representam 44,9% do mercado. O maior porcentual de especialistas encontra-se no Sul. Dos médicos que atuam na região, 37,57% não têm título. Feito pelo pesquisador Mário Scheffer, o trabalho cruzou dados dos conselhos de medicina e das residências médicas.

O trabalho identifica que a regiões que oferecem mais vagas de residência médica também abrigam maior número de especialistas.

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BBC Brasil, 02/12/2011
Cientistas identificam dois novos sintomas de derrame

DA BBC BRASIL

Pesquisadores britânicos afirmam que descobriram dois novos sintomas que podem indicar se uma pessoa está sofrendo um derrame ou não.

Um projeto desenvolvido pela University Hospitals of Leicester NHS Trust (parte do serviço público de saúde britânico) descobriu que fraqueza nas pernas e perda de visão também são sintomas do derrame.

A entidade assistencial britânica voltada para o tratamento do derrame, a Stroke Association, informa em sua página na internet que existem hoje três sintomas que precisam ser observados.

O primeiro é a fraqueza facial --notar se a pessoa consegue sorrir ou se um canto da boca ou um dos olhos está com aparência caída. Outro sintoma é a fraqueza nos braços --observar se a pessoa consegue erguer os dois braços. O terceiro sintoma são os problemas de fala --tentar detectar se a pessoa consegue falar claramente ou entender o que outra pessoa fala.

Uma campanha recente do NHS, o serviço público de saúde britânico, destacou estes três sintomas de derrame.
Mas, para Ross Naylor, professor na University Hospitals of Leicester, as pessoas precisam procurar pelos cinco sintomas.

"A campanha do NHS foi bem-sucedida, mas é importante que as pessoas saibam que fraqueza nas pernas e perda de visão também são sintomas que precisam ser observados", disse.

"Temo que muitas pessoas não saibam que qualquer um que esteja com um ou ambos destes sinais adicionais, sozinhos ou com um dos outros três sintomas, pode significar um indicador de que a pessoa, ou um ente querido, está tendo um derrame e também precisa procurar ajuda médica com urgência", acrescentou.

Simon Cook, chefe de operações da Stroke Association para a região de East Midlands, afirmou que a campanha do NHS é útil pois os três sintomas são fáceis de reconhecer pela maioria do público.

"Certamente existem outros sintomas, como visão desfocada e fraqueza nas pernas. Mas, acreditamos que o mais importante é que as pessoas se lembrem de agir rapidamente quando observarem os sinais de um derrame e liguem para os serviços de emergência", afirmou.

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