Dia 05 de Março de 2010 - Notícias de 01/03/2010 a 05/03/2010

 

Mindlin: O que eu queria saber aos 21
Estadão.edu, 01/03/2010

Vale a pena investir na educação infantil
Jornal do Brasil, 01/03/2010

"Precisamos trabalhar pela escola em turno integral"
Zero Hora, 01/03/2010

MEC define na próxima semana se realiza Enem no primeiro semestre
Agência Brasil, 02/03/2010

Brasil tem mais doutores, mas produz pouca inovação
Portal Aprendiz, 02/03/2010

País só cumpre 33% de metas de educação
Folha de S. Paulo, 03/03/2010

Fernando Pessoa inédito na internet
UOL Educação, 03/03/2010

Museus brasileiros poderão ser visitados pela internet
Portal Aprendiz, 03/03/2010


Novo plano prevê até 2020 erradicação do analfabetismo
Folha de S. Paulo, 04/03/2010

Estudo revela que adolescente é discriminado, mas não percebe
Folha de S. Paulo, 05/03/2010



 

Venda de medicamento por unidade não sai do papel
Agência Estado, 01/03/2010

Fumar causa 95% dos tumores de cabeça e pescoço
Agência Estado, 02/03/2010

Consumo regular de analgésico leva a perda auditiva
Folha de S. Paulo, 03/03/2010

Ministério vai avisar por e-mail data de vacinação contra gripe suína
UOL Ciência e Saúde, 04/03/2010

Medidas simples reduzem infecções em UTI neonatal
Folha de S. Paulo, 05/03/2010

Estadão.edu, 01/03/2010
Mindlin: O que eu queria saber aos 21

Advogado, empresário e bibliófilo, José Mindlin diz ter um certo "culto à indiferença"

*matéria publicada pela 1º vez em  01 de julho de 2009

"Olhando para trás, acho que gostaria de seguir o mesmo caminho", diz Mindlin

SÃO PAULO - Uma coisa difícil é saber, aos 21 anos, qual profissão se quer seguir. Reconheço a dificuldade de escolha nessa idade. O ideal seria escolher aos 40 anos, com uma certa experiência, porque aos 20 e poucos anos você não tem elementos para saber o que quer ser na vida.

Comecei a trabalhar cedo, entrei na redação do Estado em 1930, aos 15 anos. Havia terminado o ginásio e ainda não podia começar a faculdade, por isso disse ao meu pai que queria trabalhar – em qualquer coisa, desde que não ficasse parado. Dias depois, ele disse que havia me arrumado trabalho no Mercado Municipal, para controlar a chegada de caixas de frutas. Não era o que imaginava, mas não reclamei. Aí ele contou que estava brincando e tinha conseguido para mim um emprego no jornal.

Foi interessantíssimo e apaixonante. Trabalhei quatro anos e aprendi a escrever com clareza e correção. E tinha a vantagem de falar inglês e francês, que a maioria dos jornalistas não falava. Minha formação se deve muito a esse trabalho, o redator era polivalente, fazia de tudo. Gostava, mas achava, no íntimo, que ser jornalista não era bem o que eu queria. Vivia com indecisão. Cheguei a pensar em Medicina, mas a ideia passou rápido.

Ingressei com 17 anos no Direito da USP. Desde menino ouvia minha família dizer que seria advogado. Brinco até hoje que provavelmente achavam isso porque eu falava muito. Mas, na realidade, advogado não fala muito, ele escreve muito. Aos 21, cursava o 4º ano, portanto o caminho estava traçado para me tornar advogado, embora o jornalismo me atraísse. Mas não dava para continuar no jornal. Naquele momento era mais importante conseguir estágio num escritório de advocacia. Até hoje penso como seria se tivesse conciliado as duas carreiras. Me formei aos 22 anos e advoguei por 15 até que, pelos acasos da vida, surgiu a oportunidade de virar empresário.

Lembro também que quis ser escritor. Até tentei escrever um livro, mas, depois de certo ponto, não avançava. Fui me apaixonando pelos livros. Com 13 anos comecei a formar minha biblioteca. Imaginar hoje que eu poderia não tê-la formado é quase inaceitável.

Olhando para trás, acho que gostaria de seguir o mesmo caminho. Diria que até hoje não sou apaixonado pelo trabalho que faço. Posso passar de uma coisa a outra completamente diferente sem precisar quebrar laços. Tenho certo culto à indiferença. Posso fazer qualquer coisa, o importante é fazer benfeito.

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Jornal do Brasil, 01/03/2010
Vale a pena investir na educação infantil

Até 1988 tratava-se a Educação da criança pequena como necessidade a ser garantida, preferencialmente, no âmbito das relações privadas - Mônica Picanço

Mônica Picanço
COORDENADORA DA CRECHE DA UFF

Até 1988 tratava-se a Educação da criança pequena como necessidade a ser garantida, preferencialmente, no âmbito das relações privadas. A partir de então, com a Constituição Federal, consolidou-se a idéia de que não competia apenas à família cuidar e educar as crianças.

A Educação infantil, como um direito legalmente estabelecido, se dependeu das políticas sociais do Estado, todavia, não pode ser compreendida apenas como o fruto da iniciativa e vontade deste, mas, também, como resposta às necessidades da população. A conquista do lugar da criança pequena nos espaços de Educação tem sido o resultado de intensas lutas sociais e de um grande trabalho de construção teórica.

Os dados revelam que na faixa etária de 0 (zero) a 3 anos somente 17,1% das crianças frequentaram creches em 2007, contra 13,7% em 2004, o que representa um crescimento pouco significativo frente à dimensão da exclusão educacional dessa população. A pequena dimensão desse crescimento se destaca, principalmente, quando tomamos em conta as metas estabelecidas no PNE (Lei n° 10.172/2001) de atender, ainda em 2006, a 30% da população, atingindo no mínimo 50% em 2011. Tais metas estão longe de serem alcançadas em todas as regiões do país.

Estudos de organismos internacionais têm mostrado que o investimento na Educação infantil não só é importante para a própria continuidade dos processos educacionais, como também ajuda a otimizar o investimento público em outras áreas.

Recentemente, a Drª Pámela Cox, vice-presidenta do Banco Mundial para a América Latina e o Caribe, assim se pronunciou: "Intervir na primeira infância é eficiente e produz retornos mais elevados do que investimentos mais tarde na vida. (. ..) Um ano de Educação infantil resulta em um aumento de 2% a 6% nos ganhos futuros.(...) Somados os benefícios quantificáveis, o custobenefício da Educação infantil no país é estimado pelo Ipea em 100%, ou seja, cada real gasto em Educação na faixa de 0 a 6 anos gera R$ 2 em benefícios à sociedade".

Frequentar boas pré-escolas melhora significativamente o desenvolvimento das crianças no ensino fundamental, além de resultar em um menor índice de evasão e repetência.

Não por acaso, a Educação básica e de qualidade para todos é um dos oito objetivos do milênio, conjunto de metas definidas pela Organização das Nações Unidas (ONU) na Cúpula do Milênio, a serem alcançadas até 2015, e, expandir e melhorar o cuidado e a Educação na primeira infância é o primeiro dos seis objetivos do compromisso Educação para Todos, conjunto de metas globais firmado em 2000, em Dakar, no Senegal.

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Zero Hora, 01/03/2010
“Precisamos trabalhar pela escola em turno integral”

Para o professor Mozart Neves Ramos, presidente-executivo do movimento Todos Pela Educação, o país precisa começar de imediato um planejamento para ter a Escola de tempo integral

O Brasil deve ser ambicioso em relação ao tempo de permanência de suas crianças e adolescentes em sala de aula. Para o professor Mozart Neves Ramos, presidente-executivo do movimento Todos Pela Educação, o país precisa começar de imediato um planejamento para ter a Escola de tempo integral.

A meta é grandiosa, porque o Brasil está em desvantagem na comparação com outras nações. Reportagem publicada ontem por Zero Hora mostrou que a média de horas-aula por dia no país é de apenas 4,4 – e os gaúchos aparecem em situação ainda pior, com 4,2 horas.

Ex-reitor da Universidade Federal de Pernambuco (1996-2003) e ex-secretário de Educação do Estado nordestino (2003-2006), Ramos hoje está à frente de um movimento de diversos setores da sociedade que busca melhorar a qualidade do ensino nacional. Ele falou por telefone a Zero Hora sobre o que significa reter os alunos por mais tempo dentro da Escola:

Zero Hora – A carga horária nas Escolas brasileiras é suficiente?

Mozart Neves Ramos – Os estudos que acompanhamos no Todos Pela Educação mostram que hora-aula é um fator fundamental para o aprendizado da criança. No Brasil, a carga horária é muito baixa. Um complicador é que, se a gente espremer essa média de quatro horas, uma parte delas sequer é dedicada à aula propriamente dita. Em Pernambuco, foi feito um projeto com o Banco Mundial que avaliou as Escolas e mostrou que parte do tempo se perdia porque o professor demorava para chegar, havia períodos para chamada e para avisos, o recreio se estendia, alunos e professores falavam sobre coisas sem relação com a aula. No final, a gente ia ver e eram três horas de aula. É muito mais preocupante. Esse é um dos fatores que pode impedir o Brasil de dar um salto em Educação.

ZH – Qual é a saída?

Ramos – Precisamos trabalhar pela Escola de turno integral. O contraturno, quando utilizado, torna-se decisivo. Pernambuco tinha uma carga horária abaixo da média brasileira e implantou, seis anos atrás, o turno integral em um grupo de Escolas. O aluno chega às 7h30min e sai às 16h30min. O resultado é impressionante. Faz uma diferença enorme. Hoje essas Escolas, que já são cerca de 70, apresentam resultados no Enem muito acima da média nacional. O modelo foi implantado também no Ceará, no Maranhão e em Sergipe.

ZH – Não seria caro demais adotar a Escola integral em todo o país?

Ramos – Tem de fazer um planejamento para isso. Hoje, se o ministro da Educação quisesse a Escola de tempo integral, não conseguiria, porque não tem prédio e professor para isso. Mas o custo não é tão elevado. Um aluno custa em um ano no país R$ 2 mil. Na Escola de turno integral, custaria R$ 3 mil. São 50% a mais, mas a relação custo-benefício é compensadora.

ZH – Aumentar a carga diária de aula em uma hora já faria diferença?

Ramos – Faria muita diferença. Pelos estudos que observamos, cada hora a mais amplia o aprendizado, mas não de forma linear, e sim de forma exponencial. O ganho no desempenho do aluno não é proporcional a apenas uma hora a mais, mas muito maior. É o dois mais dois que dá cinco. É fácil de fazer isso. Mas não podemos ficar só no paliativo. Os países que estão no topo em Educação são os que oferecem Escola de tempo integral. Para acompanhá-los, o Brasil precisa investir mais. Argentina, Chile e México gastam o dobro do que nós com cada aluno. A Europa gasta seis vezes mais.

ZH – Mas é possível fazer isso no curto prazo?

Ramos – O Brasil precisa iniciar imediatamente o planejamento para a Escola de tempo integral. Enquanto ela não for possível, podem se fazer também experiências de horário expandido. A jornada expandida é utilizada em Escolas que não têm espaço para o tempo integral, porque as salas de aula são usadas por turmas diferentes em cada turno. Mas há tardes em que os laboratórios estão ociosos e nas quais os alunos da manhã podem ter aulas práticas. Esse é um caminho que as Escolas estão seguindo, de aproveitar ao máximo seu potencial de aprendizagem. Cerca de 70 seguem esse modelo em Pernambuco. O resultado não é tão bom como o das Escolas de tempo integral, mas também é bom.

ITAMAR MELO

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Agência Brasil, 02/03/2010
MEC define na próxima semana se realiza Enem no primeiro semestre

Enviado por Lana Cristina
Vitor Abdala
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro – O Ministério da Educação (MEC) deve definir na próxima segunda-feira (8) se promoverá a edição do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) planejada para o primeiro semestre deste ano. Desde que foi criado, em 1998, o Enem é realizado uma vez ao ano, sempre no segundo semestre, mas o ministério tem planos de realizar a prova semestralmente.

Ao lançar a Olimpíada de Língua Portuguesa hoje (2), no Rio de Janeiro, o ministro da Educação se demonstrou preocupado por considerar que o prazo esteja exíguo para a realização do Enem ainda no primeiro semestre.

De acordo Haddad, o início dos preparativos para o Enem dependia de um posicionamento dos órgãos de controle e fiscalização, o Tribunal de Contas da União (TCU) e a Controladoria-Geral da União (CGU), sobre a possibilidade de o governo federal contratar uma empresa para organizar a prova sem necessidade de fazer licitação.

O pedido do ministério para contratar uma empresa organizadora sem licitação surgiu depois do vazamento das provas do Enem, no ano passado. Haddad já afirmou em entrevistas anteriores, há o receio de que empresa participantes do processo licitatório cortem custos para vencer a licitação, o que poderia comprometer a segurança do sigilo das provas.

Por isso, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), órgão do MEC responsável pela realização do Enem, solicitou ao TCU e à CGU para viabilizar a possibilidade de contratar uma empresa mais confiável sem a necessidade de uma licitação.

Haddad disse que as negociações do Inep com o tribunal e a controladoria já se encerraram e que, nos próximos dias, ele deve tratar do assunto com o presidente do Inep, Joaquim José Soares Neto, para decidir se será possível fazer o Enem neste primeiro semestre.

“O professor Neto me assegurou que as conversas foram muito boas. O Inep fez uma apresentação da complexidade da aplicação da prova e dos riscos inerentes de um processo licitatório tradicional. Parece que ele sensibilizou os ministros com quem conversou e também a CGU. Parece que há uma compreensão básica de que o modelo precisa ser revisto em função do afastamento de riscos inerentes a um processo dessa complexidade”, disse.

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Portal Aprendiz, 02/03/2010
Brasil tem mais doutores, mas produz pouca inovação

Como está a formação de mão-de-obra para enfrentar os desafios nos setores ligados à infraestrutura no país? Os especialistas ouvidos nesta segunda-feira (1º) em audiência pública na Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI) traçaram um cenário preocupante. Com estímulos de agências governamentais como a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a produção científica, medida pela publicação de textos acadêmicos em revistas especializadas, cresceu muito e hoje o Brasil supera a Holanda e a Rússia, segundo o diretor de relações internacionais da Capes, Sandoval Carneiro Júnior, um dos participantes da audiência.

O sistema de pós-graduação brasileiro exibe números razoáveis: 4.100 cursos, por onde passaram mais de 150 mil alunos - um terço no doutorado e dois terços no mestrado. Mas isso não foi suficiente para assegurar inovação tecnológica: no triênio 2005-2007, o número de patentes registradas pelo Brasil no United States Patent and Trademark Office (USPTO) caiu 13% em relação ao triênio anterior (2002/2004), enquanto dois países que integram o chamado Bric - Índia e China - tiveram crescimento de 48% e de 53%, resepctivamente, no volume de patentes registradas no USPTO no período 2005-2007. A Índia conseguiu 1.411 registros, enquanto na China esse número chegou a 2.764, ou seja, dez vezes o total brasileiro, que foi de 288 registros. De acordo com Carneiro, só a Polônia teve desempenho inferior ao Brasil no 
ranking do USPTO.

O diretor da Capes atribuiu o problema a uma opção da empresa brasileira: ao invés de investir em inovação, ela prefere comprar a tecnologia que vem de fora do país. “Enquanto o Samsug tem laboratório de pesquisa com 5 mil doutores, o conglomerado industrial brasileiro quase não emprega doutores”, observou. Na presidência da reunião, o senador Fernando Collor (PTB-AL) criticou a falta de visão do empresário brasileiro, que, segundo ele, sacrifica o futuro em função de resultados em curto prazo. Engenheiros - Sandoval Carneiro afirmou que a capacidade de inovação tecnológica de um país e sua competitividade industrial estão ligadas ao desenvolvimento das engenharias, outra situação que considerou preocupante.

Em 2007, os engenheiros graduados correspondiam a 4,2% do total de formados em todos os cursos - relação que é de quase 30% na Coreia do Sul. No mesmo ano, foram oferecidas 198 mil vagas em faculdades de engenharia, mas apenas 115 mil foram preenchidas - 83 mil ficaram ociosas. O mais grave, segundo Sandoval Carneiro, é a evasão dos alunos que ingressaram nos cursos, que chega a 60% nas escolas públicas e a 75% nas privadas. Dos engenheiros que se formam, apenas um em cada 3,5 exercem a profissão. “Se o Brasil crescer de 5% a 7%, um dos cenários traçados pelo Ipea, haverá falta de engenheiro”, afirmou. A situação preocupa tanto que o governo federal criou um grupo de trabalho presidido por Sandoval Carneiro com o objetivo de propor ações indutoras para estimular o ingresso de estudantes nos cursos de graduação na área das engenharias.

Ensino básico - O reitor da Universidade Castelo Branco, do Rio de Janeiro, Paulo Alcântara Gomes, disse que a solução para o problema deve começar no ensino básico, que precisa ser reforçado - ideia que recebeu o apoio de Fernando Collor. A senadora Rosalba Ciarlini (DEM-RN), também presente à audiência, afirmou que o cuidado com as crianças desde a pré-escola forma cidadãos e profissionais mais habilitados para os novos desafios do mercado.

Alcântara Gomes defendeu "mudanças profundas" na formação de profissionais de todos os níveis. Observou que em 2009 um total de 1,7 milhão de vagas oferecidas por agências públicas de empregos não foram preenchidas por falta de qualificação dos pretensos candidatos. Ele notou que a nova configuração das empresas, com os arranjos produtivos locais e o fortalecimento das microempresas, substituiu o conceito de empregado pelo de empreendedor. O ex-presidente do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia Wilson Lang disse que o Brasil está diante do chamou de "apagão de gente", em que a demanda por profissionais qualificados não é atendida pelas escolas de formação. Outro participante da audiência pública, Roosevelt Tomé Silva Filho, representante do Ministério de Ciência e Tecnologia, apresentou aos senadores as políticas para inclusão social adotadas pela pasta. (Agência Senado)

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Folha de S. Paulo, 03/03/2010
País só cumpre 33% de metas de educação

Relatório mostra que ainda há alta repetência, a taxa de universitários é baixa e o acesso à educação infantil está longe do proposto

Estudo de pesquisadores de universidades federais abrange o período de 2001 a 2008, incluindo dois anos de governo FHC e seis de Lula

ANGELA PINHO
LARISSA GUIMARÃES
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Enquanto petistas e tucanos fazem alarde dos seus feitos na educação, um dos levantamentos mais abrangentes já realizados sobre a última década revela que os avanços na área foram insuficientes. Apenas 33% das 294 metas do Plano Nacional de Educação, criado por lei em 2001, foram cumpridas.

Relatório obtido pela Folha, feito sob encomenda para o Ministério da Educação, aponta alta repetência, baixa taxa de universitários -apesar dos programas criados nos últimos anos- e acesso à educação infantil longe do proposto.

O estudo, que abrange o período de 2001 a 2008, foi feito por pesquisadores de universidades federais, com apoio do Inep (instituto de pesquisa ligado ao MEC).

O plano foi criado com o objetivo de implantar uma política de Estado para a educação que sobrevivesse às mudanças de governo. As metas presentes nele são de responsabilidade dos três entes federados, mas municípios têm mais atribuição pela educação infantil e fundamental; Estados, pelo ensino médio; e a União, pela articulação de políticas.

O estudo traz indicadores relativos ao período de 2001 a 2008 -dois anos de governo FHC e seis de Lula. Para muitas metas, não há nem sequer indicador que permita o acompanhamento da execução.

Em outros casos, em que há indicadores claros, há um longo caminho pela frente. A educação infantil é um exemplo.

O plano previa que 50% das crianças de 0 a 3 anos estivessem matriculadas em creches até 2010. É o que a faxineira Adriana França dos Reis, 32, desejava para sua filha, que chegou aos quatro anos sem conseguir vaga. "Quanto mais cedo ela entrar na escola, sei que mais longe ela vai chegar", diz. Segundo o IBGE, só 18,1% das crianças de até três anos estavam em creches em 2008.

Já o ensino fundamental foi quase universalizado e aumentou de oito para nove anos. No ensino médio, o obstáculo é já no atendimento. Na faixa etária considerada adequada para a etapa (15 a 17 anos), 16% estão fora da escola. Na educação superior, o plano estabelecia uma meta de 30% dos jovens na universidade. Em 2008, o índice estava em 13,7%.

O objetivo número um na educação de jovens e adultos, a erradicação do analfabetismo, está longe de ser alcançado. O Brasil ainda tem 14 milhões de pessoas de 15 anos ou mais que não sabem escrever.

Para João Oliveira, professor da UFG (Universidade Federal de Goiás) e um dos responsáveis pela pesquisa, uma das principais causas dos problemas na execução do PNE foi o veto à meta que previa um aumento expressivo nos recursos destinados à educação: 7% do PIB em educação até 2010.

Prevista na proposta aprovada no Congresso, foi vetada por FHC, que terminou seu mandato com um investimento de 4,8%. A decisão do tucano foi duramente criticada por petistas, que, em 2007 (dado mais recente disponível), já no poder, tinham aumentado o percentual apenas para 5,1%.

Sem financiamento, diz Oliveira, o plano acabou perdendo força, pois impôs deveres aos governos sem viabilizar recursos para o cumprimento deles.

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UOL Educação, 03/03/2010
Fernando Pessoa inédito na internet

Biblioteca Nacional de Portugal e Casa de Fernando Pessoa colocam online centenas de manuscritos do escritor guardados há mais de 70 anos

por Graziella Beting

Ele usava diferentes nomes, pseudônimos e heterônimos. A obra de Fernando Pessoa também é variada: traduções, prosa, poesia, aforismos, bilhetes... Pesquisadores calculam que apenas 50% dela seja conhecida, pois o restante permaneceu fechado no baú de escritos do autor, que agora, por iniciativa da Biblioteca Nacional de Portugal e da Casa Fernando Pessoa, será colocado integralmente na internet.

São ao todo 1.400 volumes, 200 dos quais hoje em poder da família, como os 29 cadernos manuscritos e o texto datilografado de Mensagem, único livro de poemas em português lançado em vida, em 1934. Trata-se de uma ode a Portugal (aliás, esse era seu título original), revisitando a história do país, como o passado heroico dos descobrimentos e o sebastianismo.

Talvez resida aí a origem do debate sobre a ideologia do poeta, já que a ditadura de Salazar incorporou o livro a sua propaganda patriótica. Em vida, Fernando Pessoa se dizia antissocialista, anticomunista e nacionalista guiado pelo lema: “Tudo pela Humanidade; nada contra a Nação”.

ESPÓLIO FERNANDO PESSOA NO SITE DA BIBLIOTECA NACIONAL DE PORTUGAL:
http://purl.pt/1000/1/index.html

CASA FERNANDO PESSOA:
http://casafernandopessoa.cm-lisboa.pt

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Portal Aprendiz, 03/03/2010
Museus brasileiros poderão ser visitados pela Internet

Rafael Carneiro da Cunha    

A partir do dia 26 de março, cinco museus brasileiros poderão ser visitados pela Internet de forma gratuita. É o que promete o projeto ERA Virtual – Museus, que irá reproduzir as exposições dos museus da maneira como foram montadas.

A primeira fase do projeto trará para as telas do computador o Museu de Artes e Ofícios, de Belo Horizonte (MG), o Museu Nacional do Mar, de São Francisco do Sul (SC), a Casa de Cora Coralina, de Goiás Velho (GO), o Museu Victor Meirelles, de Florianópolis (SC) e o Museu do Oratório, de Ouro Preto (MG).

Produzido pela empresa Empório de Relacionamentos Artísticos (ERA Virtual), o projeto foi desenvolvido a partir do modo de olhar de um visitante real. Setas indicarão os trajetos que o internauta poderá percorrer. Além disso, o visitante virtual poderá ter uma visão 360º dos locais. Todas as obras dos museus serão acompanhadas de áudio em mais de um idioma e podem ser ampliadas.

Segundo o idealizador do projeto Rodrigo Coelho, a transformação do real em virtual foi feita por meio de filmagens e fotografias seguidas de uma digitalização. “Temos a preocupação de mostrar o museu da forma que ele é, com a luz que incide nos objetos na realidade”, diz.

O projeto custou R$ 720 mil, valor financiado por leis de incentivo, além de contar com apoio por empresas privadas.

Até o final do ano mais sete museus estarão disponíveis na web, como o Museu do Homem do Nordeste, de Recife (PE) e o Museu Guimarães Rosa, de Cordisburgo (MG).

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), 92% da população brasileira nunca visitou galeria de artes ou museus. Segundo o IBOPE, 64,8 milhões de brasileiros têm acesso à Internet. “Queremos que o projeto, que é pioneiro no país, seja uma referência cultural para as pessoas”, diz Coelho.

Visitações virtuais já são comuns nos principais museus do mundo como o Louvre, em Paris, ou o Museu Egípcio, no Cairo. Porém, a maior parte deles não permite uma navegabilidade contínua, além de apresentar um sistema pesado, que demora muito para carregar.

Os museus virtuais brasileiros também serão gravados em CD e serão distribuídos para cinco mil escolas e bibliotecas de Minas Gerais. Para os interessados de outros estados, é possível fazer o pedido através de um link que estará disponível no site.

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Folha de São Paulo, 04/03/2010
Novo plano prevê até 2020 erradicação do analfabetismo


Ministro diz que pediu revisão do balanço do plano atual que apontou só 33% de metas cumpridas

ANGELA PINHO / LARISSA GUIMARÃES DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

A proposta para o novo Plano Nacional de Educação feita pelo Conselho Nacional de Educação prevê a erradicação do analfabetismo até 2020, tarefa que o atual plano ficou longe de cumprir. O analfabetismo funcional também terá de ser extinto pelo novo PNE, que norteará a educação no país por dez anos (2011-2020).

A proposta ainda será discutida na Conferência Nacional de Educação, que ocorre no fim de março e que levará subsídios ao projeto que o MEC enviará ao Congresso. A Folha adiantou ontem que, assim como a erradicação do analfabetismo, dois terços das metas não foram cumpridas do atual PNE, que abrange o período de 2001-2010. Relatório feito por pesquisadores de universidades federais apontou que só 33% das metas foram alcançadas. O país ainda tem 14 milhões de analfabetos.

Outra prioridade que entrará no novo plano será a elevação dos investimentos em educação, que passarão a equivaler a 10% do Produto Interno Bruto até 2014. Em 2007, dado mais recente disponível, o percentual ficou em 5,1% ou 4,7%, dependendo da forma de cálculo. Fernando Haddad (Educação) disse que pediu ao Inep, órgão ligado à pasta, para
atualizar e revisar o balanço do PNE encomendado aos pesquisadores.

O ministro contestou um dado do relatório relativo à repetência no ensino fundamental: o trabalho diz que ela cresceu, mas dados do Inep apresentados por Haddad apontam que caiu de 21,7% para 13% de 2000 a 2008. Haddad fez ressalva também em relação à educação superior. O PNE fixa que até 2010 o Brasil tenha 30% dos jovens de 18 a 24 matriculados nessa etapa. Em 2008, só tinha 13,7%. Para o ministro, a meta conta como não incluídos alunos abaixo de 24 anos que tenham acabado o ensino superior.

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Folha de S. Paulo, 05/03/2010
Estudo revela que adolescente é discriminado, mas não percebe

LETICIA DE CASTRO
da Folha de S.Paulo

Em uma escola pública na Barra Funda frequentada por brasileiros e bolivianos uma cena se repetiu quase diariamente no ano passado: a cada aluno estrangeiro que chegava, um brasileiro cobrava um "pedágio". Caso não fosse pago, o boliviano inadimplente apanhava.

Leia a íntegra do relatório do Unicef

O relato foi feito à Folha por João Carlos Cardoso, 17, ex-aluno da escola e integrante do projeto Plataformas dos Centro Urbanos, do Unicef, que divulgou na quinta-feira (4) um levantamento inédito sobre a percepção de adolescentes e lideranças de comunidades populares sobre suas condições de vida.

Segundo ele, a maioria dos alunos não percebia a discriminação. Esse não é um caso isolado. Conforme o estudo, 32% dos adultos ouvidos avaliam o respeito à diversidade nas comunidades ruim ou péssimo.

Realizado a partir de uma metodologia participativa desenvolvida pelo Instituto Paulo Montenegro (braço social do Ibope) --que fez dos próprios integrantes das comunidades entrevistadores-- o estudo ouviu 2.148 pessoas de 55 comunidades (favelas, assentamentos, cortiços) de São Paulo e Itaquaquecetuba.

Foram aplicados dois questionários sobre os mesmos temas (um para lideranças e outro para os jovens) com questões afirmativas com as quais os entrevistados poderiam concordar ou discordar.

Quando deparados com a afirmação de que os episódios de racismo eram raros e combatidos, a maioria das lideranças discordou. Já a maioria dos adolescentes diz ser respeitada pelos jovens da comunidade.

"Os adolescentes mostram uma predisposição maior com o diferente. Mas isso não significa que eles não têm preconceito ou não excluem", observa Anna Penido, coordenadora do Unicef em São Paulo.

Cleber de Souza, 18, morador de Guaianazes, é um exemplo. Quando os colegas descobriram que sua família é espírita, virou alvo de chacotas. "Me chamaram de neguinho macumbeiro", diz o estudante.

A participação dos adolescentes nas decisões da comunidade também causa divergências. Os adultos reclamam que os jovens não participam; estes garantem que fazem sua parte.

Para 44% das lideranças, a participação dos jovens é ruim ou péssima. Já entre os adolescentes, a maioria afirma participar de ações para tornar melhor a comunidade e diz querer votar nas próximas eleições.

Violência

Dos seis temas abordados com as lideranças (sobrevivência, aprendizagem, proteção contra HIV/Aids, violência, respeito à diversidade e prioridade em políticas públicas, e participação), o que teve pior avaliação foi a violência. Para 58%, a segurança nas comunidades é ruim ou péssima; 32% acreditam que a situação piorou nos últimos dois ou três anos.

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Agência Estado, 01/03/2010
Venda de medicamento por unidade não sai do papel

Autorizada há cinco anos por meio de decreto presidencial, a venda de medicamentos fracionados não teve adesão de farmácias, laboratórios e médicos. A maior parte da população ainda desconhece esse direito e continua sem conseguir comprar remédios na quantidade exata para o tratamento prescrito.

Até agora, 15 laboratórios obtiveram o registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para produzir 175 tipos de medicamentos fracionados, segundo lista disponível no site do órgão. Entre eles há antibióticos, anti-inflamatórios e remédios de uso contínuo, como anti-hipertensivos. Porém, das 7 empresas que responderam ao jornal O Estado de S. Paulo, nenhuma está produzindo fracionados. Elas fabricam a maior parte dos 175 tipos autorizados.

O objetivo do fracionamento é permitir que a população possa comprar a quantidade exata de medicamento, necessária para o tratamento. Em tese, isso diminuiria os gastos e evitaria que o consumidor armazene remédios em casa, reduzindo a possibilidade de efeitos adversos e intoxicações decorrentes da automedicação.

O diretor da Anvisa Pedro Ivo Ramalho reconhece que a adesão ao programa está bem aquém do esperado. "A principal questão é comercial. Farmácias e drogarias acreditam que vão perder lucro e por isso não há interesse", diz. Em oito drogarias visitadas pela reportagem em São Paulo na semana passada não havia fracionados.

Defesa

"A adequação da indústria exige investimentos pesados. Enquanto o projeto de lei que torna o fracionamento obrigatório não for aprovado, as empresas não vão investir", diz o vice-presidente do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo (Sindusfarma), Nelson Mussolini. "Não há demanda das farmácias e drogarias. Nem os laboratórios que já se adaptaram têm motivos para produzir", diz.

"Só posso vender se tiver produto e tem muito pouco", rebate Sérgio Mena Barreto, presidente da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e drogarias (Abrafarma). "Até hoje o comércio farmacêutico não recebeu nenhuma receita médica para a venda de fracionado", completa Pedro Zidói, presidente da Associação Brasileira do Comércio Farmacêutico.

Já o secretário do Conselho Federal de Medicina (CFM), Desiré Callegari, diz que os médicos não prescrevem porque sabem que o mercado é restrito. "É pequena a disponibilidade no mercado. A população não tem a cultura de comprar fracionados. A lei vai tornar tudo mais fácil", afirma.

Promessa

O projeto de lei que todos esperam que mude o cenário dos fracionados tramita no Congresso desde 2006. De autoria do Executivo, o PL 7.029 torna compulsória a produção e a venda de medicamentos fracionados. Ele foi aprovado na Comissão de Seguridade Social da Câmara e agora é analisado pela Comissão de Constituição e Justiça. "Em seguida vai ao Senado e, se aprovado, para sanção presidencial. Acredito que neste ano saia a aprovação", diz o deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), relator do projeto. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Agência Estado, 02/03/2010
Fumar causa 95% dos tumores de cabeça e pescoço

São Paulo - Entre as pessoas que desenvolvem câncer de cabeça e pescoço, 95% são fumantes ou têm histórico de tabagismo. Pesquisa do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) também mostra que os homens representam 90% dos afetados.

O levantamento foi feito com 327 pacientes em tratamento no instituto. Os dados se referem a tumores que atingem o trato aerodigestivo, ou seja, boca, faringe, laringe e traqueia. Segundo o oncologista do Icesp Gilberto Castro, mais de 65% dos casos correspondem a tumores na cavidade bucal e na faringe.

"O tabagismo é o principal fator de risco para esse tipo de câncer. O consumo de bebidas alcoólicas, principalmente destiladas, também eleva o risco. Geralmente, os dois hábitos estão associados", afirma Fernando Luiz Dias, chefe da Seção de Cirurgia da Cabeça e Pescoço do Instituto Nacional de Câncer (Inca). "A ação é cumulativa. O tempo que o paciente fumou e a quantidade de cigarros por dia fazem toda a diferença."

Dias explica que o problema é mais incidente em homens não só porque fumam mais, mas também porque cuidam menos da saúde bucal. "A presença de placa bacteriana e de dentes quebrados que causam traumas crônicos na bochecha, por exemplo, também elevam o risco." A infecção por papilomavírus humano (HPV), que ocorre por contágio sexual, pode causar câncer de garganta.

Por estarem em locais visíveis, esses tumores podem ser detectados precocemente, até por meio de autoexame. Mas, segundo o oncologista do Icesp, mais de 70% dos pacientes que procuram atendimento já estão com a doença em estágio avançado. "Se for tratada no início, as chances de cura são boas. Mas, como a maioria chega tarde, 70% acaba morrendo em cinco anos. Muitas vezes, aqueles que sobrevivem ficam com sequelas que prejudicam a qualidade de vida", diz. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Folha de S. Paulo, 03/03/2010
Consumo regular de analgésicos leva a perda auditiva

IARA BIDERMAN
Colaboração para a Folha de S.Paulo

Um estudo norte-americano que acompanhou 26 mil homens por 18 anos mostra que o uso regular de aspirina, acetaminofen (substância ativa de analgésicos como o Tylenol) e anti-inflamatórios não esteroides (como o ibuprofeno) aumenta o risco de perda auditiva, especialmente nos homens com menos de 60 anos.

Os autores apontam que o consumo regular (duas ou mais vezes por semana) de acetaminofen aumenta em 99% o risco de deficiência auditiva em homens com menos de 50 anos e em 38% em homens entre 50 e 59. A partir dos 60 anos, o risco cai para 16%.

"A relação entre o acetaminofen e a perda auditiva nunca havia sido estudada", disse à Folha Sharon Curhan, do Brigham and Women's Hospital, a principal autora do estudo.

Entre os que usam regularmente aspirina, o risco de perda auditiva foi 33% maior para homens abaixo dos 59 anos. Não foi observado aumento de risco nos participantes com mais de 60 anos. O uso regular de aspirina, que diminui o risco de formação de coágulos, é indicado na prevenção de doenças cardiovasculares.

Quanto aos anti-inflamatórios não esteroides, o risco foi 61% maior para homens abaixo dos 50 anos, 32% maior para a faixa entre 50 e 59 anos e 16% para os com 60 anos ou mais.

"Os efeitos ototóxicos [que agridem o aparelho auditivo] de altas doses de aspirina estão bem documentados e há suspeitas de que altas doses de anti-inflamatórios não esteroides causem danos auditivos. Nós investigamos o uso regular de doses moderadas desses analgésicos. É o maior estudo prospectivo mostrando essa relação", diz Curhan.

Os pesquisadores fizeram ajustes para fatores que pudessem distorcer os resultados, como alcoolismo, tabagismo, doenças cardiovasculares, hipertensão e uso de outros tipos de medicamento com efeitos comprovados na audição.

O trabalho, que acaba de ser publicado na edição de março do "American Journal of Medicine", foi realizado por pesquisadores das universidades Harvard e Vanderbilt, do Brigham and Women's Hospital e da Massachusetts Eye and Ear Infirmary, em Boston.

A perda auditiva é considerada a desordem sensorial mais comum nos EUA. Estima-se que afete 10% da população geral e pelo menos metade da população com mais de 65 anos. "Não temos números precisos no Brasil, mas provavelmente a situação aqui é igual ou maior. Os distúrbios auditivos são um problema de saúde pública", afirma o otorrinolaringologista Marcelo Ribeiro de Toledo Piza, diretor da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia.

"A deficiência auditiva afeta a capacidade de comunicação, reduz a autonomia e pode levar ao isolamento social e à depressão", completa Curhan.

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UOL Ciência e Saúde, 04/03/2010
Ministério vai avisar por e-mail data de vacinação contra gripe suína

Da Redação

O Ministério da Saúde anunciou nesta quinta-feira (4) que criou um sistema para avisar os cidadãos por e-mail sobre a data da vacinação contra a influenza A (H1N1), ou gripe suína. Para receber o aviso, será preciso se cadastrar no site da instituição (www.saude.gov.br) a partir do dia 8 de março, data em que a imunização começa no país.

Na primeira etapa, que vai até o dia 19, a vacinação ocorre para profissionais da saúde e povos indígenas. Do dia 22 ao dia 2 de abril, serão imunizados gestantes, doentes crônicos (veja lista abaixo) e crianças de 6 meses a 2 anos. Jovens de 20 a 29 anos devem receber a vacina entre os dias 5 e 23 de abril; idosos (mais de 60 anos) com doenças crônicas, de 24 de abril a 7 de maio; e adultos de 30 a 39 anos, de 10 a 21 de maio.

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, que pelo menos 91 milhões de brasileiros deverão ser vacinados contra a influenza A (H1N1) - gripe suína - em dois meses.

Saiba quais as doenças crônicas consideradas para a vacinação:

• Obesidade grau 3 - antiga obesidade mórbida (crianças; adolescentes e adultos);
• Doenças respiratórias crônicas desde a infância (exemplos: fibrose cística, displasia broncopulmonar);
• Asmáticos (formas graves);
• Doença pulmonar obstrutiva crônica e outras doenças crônicas com insuficiência respiratória;
• Doença neuromuscular com comprometimento da função respiratória (exemplo: distrofia neuromuscular);
• Imunodeprimidos (exemplos: pacientes em tratamento para aids e câncer ou portadores de doenças que debilitam o sistema imunológico);
• Diabetes mellitus;
• Doença hepática (exemplos: atresia biliar, cirrose, hepatite crônica com alteração da função hepática e/ou terapêutica antiviral);
• Doença renal (exemplo: insuficiência renal crônica, principalmente em pacientes com diálise);
• Doença hematológica (hemoglobinopatias);
• Pacientes menores de 18 anos com terapêutica contínua com salicilatos (exemplos: doença reumática autoimune, doença de Kawasaki);
• Portadores da Síndrome Clínica de Insuficiência Cardíaca;
• Portadores de cardiopatia estrutural com repercussão clínica e/ou hemodinâmica (exemplos: hipertensão arterial pulmonar, valvulopatias, cardiopatia isquêmica com disfunção ventricular).

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Folha de S. Paulo, 05/03/2010
Medidas simples reduzem infecções em UTI neonatal

RACHEL BOTELHO
da Folha de S.Paulo

Medidas simples e que não demandam gastos, como higienização adequada das mãos, implantação correta de cateteres e acurácia no diagnóstico da sepse (infecção generalizada), podem reduzir significativamente a ocorrência de infecções em UTIs neonatais, sugere uma pesquisa feita no hospital municipal e maternidade Oswaldo Nazareth, no Rio.

A infecção hospitalar é uma das principais causas de morte de recém-nascidos. Após um reforço no treinamento da equipe de profissionais da unidade estudada, o índice de bebês com infecção caiu de 62% para 34%, enquanto o de sepse passou de 47% para 23%.

Além de salvar vidas, a intervenção possibilitou a economia de recursos financeiros ao diminuir o tempo médio de permanência na UTI neonatal de 30 para 20 dias. O uso de antibióticos também caiu: de 11 para 6 dias, em média, assim como a porcentagem dos bebês que precisam tomar o medicamento (de 70% para 55%).

A pesquisa de doutorado foi realizada pelo pediatra Arnaldo Costa Bueno, que passou um ano coletando dados dos bebês internados na unidade e observando a rotina do serviço médico antes de iniciar o treinamento da equipe com base em potenciais boas práticas -ou PBPs, medidas elaboradas por uma rede colaborativa de profissionais de unidades neonatais dos EUA dedicada a melhorar a qualidade dos cuidados com recém-nascidos.

No total, 457 bebês foram divididos em dois grupos: os admitidos no período pré-intervenção e os internados após o início da ação. "Perguntei para os funcionários o que eles sabiam, ensinei como deveriam trabalhar a partir daquele momento, depois cobrei. Eram coisas que já faziam parte da rotina, mas que não ocorriam", diz o autor do trabalho.

Antes da intervenção, oito bebês morreram em consequência de infecção hospitalar -ou 33% do total de mortes-, índice que foi reduzido a zero.

Boas práticas

"Eu testei e aprovei essas potenciais boas práticas. Elas não têm custo e são eficazes na diminuição de óbitos de recém-nascidos. Não há dinheiro para contratar enfermeiras nem para melhorar o laboratório, então tem que usá-las", diz Bueno, que terá sua pesquisa publicada na revista "Pediatrics".

Para Ruth Guinsburg, professora de neonatologia da Unifesp, medidas simples e de baixo custo, como essas, podem funcionar antes de apelar para recursos caros e sofisticados. "Muitas dessas práticas parecem óbvias, mas há um lapso enorme entre o que se prega e o que realmente acontece no dia a dia das UTIs", afirma.

De acordo com Jucille Meneses, do Departamento de Neonatologia da Sociedade Brasileira de Pediatria, as PBPs podem ser implementadas em qualquer UTI neonatal. "O problema é que já são feitos programas de educação de equipe em várias UTIs, mas é difícil dar seguimento ao processo."

Mesmo assim, ela considera a pesquisa importante. "Precisamos desses estudos para conhecer nossa realidade e corrigir falhas das nossas UTIs. Não adianta ter toda a tecnologia se não existe um bom controle de infecção hospitalar", afirma.

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